Agricultores,
Milton e Odair foram presos em operação contra fraudes.
O advogado dos
irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller, disse ter protocolado na
Justiça Federal em Diamantino, a 209 km de Cuiabá, um pedido de revogação da
prisão de Milton e Odair Geller, nesta segunda-feira (1º). Eles estão presos há
quatro dias por suspeita de participação em um esquema de fraudes com terras da
reforma agrária. Além deles, outras 32 pessoas foram presas na Operação Terra
Prometida, da Polícia Federal.
O advogado
Murillo Silva Freire informou que irá aguardar a decisão e, se a Justiça for
contrária à soltura, disse que irá ingressar com pedido de habeas corpus no
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para tentar tirá-los da prisão.
Ele disse que a decisão que mandou prender 52 pessoas por suspeita de fraude
envolvendo terras da União foi proferida por um juiz plantonista.
"Queremos
que o juiz titular da Comarca analise o nosso pedido de reconsideração",
declarou. Antes do despacho, o pedido deve ser analisado também pelo Ministério
Público Federal (MPE) que deverá dar o seu parecer. A previsão da defesa é que
até esta quarta-feira (3) o pedido tenha sido julgado.
A assessoria da
TRF-1 informou ao G1 que a defesa dos dois suspeitos havia protocolado pedido
de habeas corpus no último final de semana, mas que os mesmos foram negados.
Alvos da Operação
'Terra Prometida', os produtores rurais estão presos preventivamente desde a
última quinta-feira (27) por suspeita de envolvimento com uma quadrilha que
expulsava famílias de terras da reforma agrária e depois regularizava o lote
com a ajuda de servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra).
Os irmãos estão
detidos no Centro de Custódia de Cuiabá, prédio localizado nos fundos do Centro
de Ressocialização de Cuiabá, antigo presídio do Carumbé, junto com outros
presos durante a operação, entre eles Edu Pascoski, membro da diretoria do
Luverdense. Eles ainda não receberam visita da família, apenas do advogado. Só
devem ver os familiares na quarta-feira (3), já que esse tipo de visita é
permitido apenas cinco dias após a prisão.
O diretor da
unidade, Isaías Marques de Oliveira, explicou que, no domingo (30), tinha
completado três dias da prisão e, na unidade, as visitas só são permitidas às
quartas-feiras e domingos. Os agricultores dividem uma cela com outros dois
presos. Eles e outras 50 pessoas suspeitas de participação no esquema tiveram a
prisão decretada pela Justiça Federal em Diamantino, a 219 km da capital. Na
operação, 33 pessoas foram detidas, entre empresários, sindicalistas, políticos
e fazendeiros.
Milton e Odair
foram procurados pela Polícia Federal em suas residências localizadas em Nova
Mutum e Lucas do Rio Verde, a 269 e 360 km de Cuiabá, mas não foram
encontrados. Das casas, os policiais levaram documentos.
Na noite de
quinta-feira, data da operação, os irmãos se entregaram na sede da Polícia
Federal. Depois, foram encaminhados para a prisão. Eles foram ouvidos, na sexta-feira
(28), dentro da unidade prisional pelo delegado da PF Hércules Ferreira Sodré,
que conduz as investigações sobre o caso, e negaram qualquer envolvimento com
os crimes envolvendo terras da União em Itanhangá e Tapurah, a 447 e 414 km de
Cuiabá.
No inquérito,
Odair e Milton são apontados como integrantes do primeiro núcleo da quadrilha,
composto por empresários e fazendeiros, mas não estavam entre os líderes da
organização, que tinha outros três núcleos, formados por sindicalistas,
servidores públicos do Incra, órgão ligado ao Ministério de Desenvolvimento
Agrário, e colaboradores. Os fazendeiros e empresários se interessavam por
alguns lotes e então aliciavam e pressionavam os assentados com proposta de
compra, na maioria dos casos por valores muito abaixo do mercado.
Pela ordem, se
aceitasse a proposta, o assentado assinava um termo de desistência endereçado
ao Incra. Mas, caso discordasse da oferta de compra, era ameaçado de morte e
expulso do lote à força. Na segunda situação, o termo de desistência era
fraudado e a assinatura do posseiro, falsificada.
De posse dessa
documentação falsificada, o fazendeiro ia até o sindicato rural de Itanhangá,
combinava um valor para regularizar a área, apresentava um 'laranja' ou parente
para ser beneficiado com a área. Na sequência, o sindicato encaminhava a carta
de indicação e o termo de desistência ao Incra, onde um servidor simulava uma
vistoria no lote. No entanto, o técnico raramente aparecia no assentamento e a
vistoria nunca era realizada. Mesmo sem ter feito a vistoria, o servidor
assinava um relatório dando direito de posse ao 'laranja', pois o assentado
anterior havia desistido em favor do novo posseiro.

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