Grupo radical chamou a atenção do mundo ao sequestrar mais
de 200 meninas este ano
O grupo terrorista Boko Haram declarou um califado islâmico
na cidade de Mubi, no nordeste da Nigéria, e cortou as mãos de dez pessoas que
descumpriram sua interpretação da lei islâmica, informou na terça-feira (4) a
imprensa local.
Os
terroristas içaram sua bandeira e impuseram um califado islâmico em Mubi, a
segunda cidade mais povoada do estado de Adamawa, com 250 mil habitantes, sob
controle desde a última quarta-feira (29).
Alguns
moradores, citados pelo jornal nigeriano The Punch, disseram que os terroristas
cortaram as mãos de dez pessoas que foram declaradas culpadas de diversos
delitos, incluindo o saque de propriedade. O
utra
testemunha afirmou que dois ímãs foram decapitados por milicianos de Boko Haram
porque teriam pregado contra o grupo terrorista.
Centenas de pessoas
já abandonaram a região por medo de represálias dos terroristas, que predicam o
Islã e recrutam jihadistas para a causa.
Diante da
onda de ataques a cidades, o vice-governador do estado de Borno, Alhaji Zanna
Mustapha, advertiu que os estados de Adamawa, Borno e Yobe — em situação de
emergência desde maio — poderiam ser invadidos pelo Boko Haram em questão de
semanas a menos que o governo federal intensifique seus esforços para deter os
terroristas.
Até o
momento, mais de 15 localidades do norte do país estão sob o controle dos
terroristas, que assassinaram centenas de pessoas — a maioria de cristãs, no
que foi o primeiro passo para alcançar o objetivo de implantar o estado
islâmico no país.
No sábado
(1º), o líder de Boko Haram, Abubakar Shekau, negou em um vídeo que o grupo
terrorista tenha acordado um cessar-fogo com o governo nigeriano e que vá
libertar as mais de 200 meninas sequestradas há seis meses em uma escola de
Chibok, no norte do país.
"O
assunto das meninas está esquecido porque já faz tempo que foram casadas",
disse Shekau, que avisou que as menores não voltarão para suas famílias.
Boko Haram,
cujo nome significa em línguas locais "a educação não islâmica é
pecado", mantém uma violenta campanha que matou mais de três mil pessoas
este ano, segundo dados do governo nigeriano.

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