TCU sobe o tom contra o Banco Central e ameaça reverter liquidação do Banco Master | Rio das Ostras Jornal

TCU sobe o tom contra o Banco Central e ameaça reverter liquidação do Banco Master


Em um movimento que eleva a tensão entre os órgãos de controle e a autoridade monetária, o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou nesta segunda-feira (5) uma inspeção presencial no Banco Central (BC). O objetivo é analisar documentos primários que embasaram a liquidação extrajudicial do Banco Master, com o ministro sinalizando a possibilidade de determinar a reversão da medida.

A decisão ocorre após o TCU considerar insuficiente a nota técnica enviada pelo Banco Central no último dia 29 de dezembro. Segundo o despacho, o documento do BC — que listava irregularidades e supostas fraudes enviadas ao Ministério Público Federal — carecia de suporte documental direto.

Foco na preservação de valor

A inspeção técnica, que será realizada in loco, pretende mapear:

  • Perfil dos investidores: Identificar se há exposição relevante de investidores institucionais, inclusive de forma indireta via fundos.
  • Ativos estratégicos: Avaliar se o fracionamento ou a venda de ativos durante o regime de liquidação pode causar uma “destruição de valor” irreversível.
  • Reversibilidade: Verificar se as ações do BC estão inviabilizando soluções alternativas que poderiam preservar a instituição.

“A inspeção poderá mapear se existem exposições relevantes […] e se há ativos cuja desagregação possa reduzir a reversibilidade de soluções”, explicou o ministro Jhonatan de Jesus no despacho.

Limites de competência e sigilo rigoroso

Apesar da medida incisiva, o ministro ressaltou que o TCU não pretende substituir o Banco Central em seu juízo prudencial sobre o Sistema Financeiro. Contudo, defendeu que o Tribunal precisa agir para evitar efeitos de difícil reparação enquanto o mérito da decisão regulatória é analisado.

Para garantir a segurança das informações, os técnicos do TCU serão submetidos a um rigoroso protocolo exigido pelo Banco Central. As consultas serão rastreadas e os servidores deverão assinar termos de confidencialidade, dado o potencial impacto das informações no mercado financeiro.

Histórico do impasse

A crise em torno do Banco Master se intensificou no final de 2025, quando o Banco Central decretou sua liquidação extrajudicial alegando irregularidades graves. O banco, por sua vez, contesta a medida. Agora, o TCU busca entender se as provas documentais em posse da autoridade monetária sustentam a decisão ou se houve excesso que prejudicou o patrimônio dos investidores.

Gazeta Brasil

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