
A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou a execução de Christa Gail Pike no Tennessee nesta quarta-feira (30), derrubando uma suspensão de última hora concedida por um tribunal federal de apelações. A decisão abre caminho para que Pike se torne a primeira mulher a ser executada no estado em mais de 200 anos, por meio de injeção letal, antes da meia-noite, segundo a Associated Press.
O Departamento Correcional do Tennessee confirmou que o procedimento será realizado ainda hoje, cumprindo o prazo estabelecido pela ordem estadual de execução. A medida judicial encerra uma série de recursos apresentados nas últimas horas pela defesa da condenada, que buscava evitar a pena capital pela morte de Colleen Slemmer, em 1995.
O Assassinato de Colleen Slemmer
Christa Gail Pike foi condenada à pena de morte pelo assassinato brutal de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 12 de janeiro de 1995. Ambas eram colegas em um programa de capacitação profissional em Knoxville. Segundo a acusação, Pike, seu namorado Tadaryl Shipp, e a amiga Shadolla Peterson, levaram Slemmer para uma área isolada do campus da Universidade do Tennessee.
No local, a jovem foi atacada por cerca de 30 minutos a uma hora. Os agressores utilizaram pedaços de asfalto, um estilete e uma lâmina de açougueiro. Os legistas encontraram pentagramas gravados no corpo da vítima e constataram a ausência de um fragmento do crânio, evidenciando a crueldade do crime.
Durante o julgamento, a promotoria argumentou que Pike, então com 18 anos, atacou Slemmer por ciúmes, acreditando que a vítima tentava atrair a atenção de Shipp. Dos três envolvidos, Pike foi a única condenada à morte. Shipp, que era menor de idade na época e admitiu ter gravado um pentagrama na vítima, recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Peterson, também com 18 anos, atuou como vigia e obteve liberdade condicional após colaborar com a investigação.
Recursos da Defesa e a Decisão Final
A decisão da Suprema Corte ocorreu enquanto familiares da vítima, testemunhas e jornalistas já estavam reunidos no Instituto de Máxima Segurança Riverbend, em Nashville. O Tribunal de Apelações do Sexto Circuito havia concedido a suspensão da execução por dois votos a um, argumentando a necessidade de analisar alegações da defesa sobre abusos sexuais e negligência que Pike teria sofrido desde a infância.
Os advogados de Christa Gail Pike não contestam sua participação no homicídio, mas alegam que o júri responsável pela sentença não recebeu informações cruciais sobre seu histórico de abuso, abandono e problemas de saúde mental. Após o crime, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.
O gabinete do procurador-geral do Tennessee, Jonathan Skrmetti, recorreu imediatamente à Suprema Corte, classificando as ações da defesa como “táticas dilatórias abusivas”. A maioria da Suprema Corte suspendeu a ordem sem apresentar os fundamentos da decisão, uma prática comum em casos urgentes.
As juízas Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson votaram contra a decisão. Em sua manifestação, Sotomayor criticou a celeridade do processo, afirmando que o desejo do Tennessee de acelerar a execução não deveria prevalecer sobre o direito da condenada a uma análise adequada de sua demanda. Nesta semana, o governador republicano do Tennessee, Bill Lee, também rejeitou um pedido de clemência apresentado por Pike.
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