Reino Unido acata ultimato de Israel e remove placas de consulado em Jerusalém | Rio das Ostras Jornal

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Reino Unido acata ultimato de Israel e remove placas de consulado em Jerusalém

A tensão diplomática entre o Reino Unido e Israel atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (8), quando funcionários britânicos removeram placas e letreiros do consulado em Jerusalém Oriental. A medida foi tomada após o prazo imposto por Israel para o fechamento da representação expirar, em retaliação aos planos de Londres de impor sanções aos assentamentos na Cisjordânia, agravando ainda mais as relações já tensas entre os dois aliados.

Jornalistas da Reuters testemunharam a retirada de uma placa com a inscrição “Consulado-Geral Britânico” e outra indicando a seção consular. Apesar da remoção, a bandeira britânica permaneceu hasteada no edifício, e o consulado não se manifestou imediatamente sobre o ocorrido.

Escalada da tensão diplomática entre aliados

A crise se intensificou no mês passado, quando Israel ordenou que o Reino Unido fechasse o consulado em 30 dias e retirasse seus diplomatas da cidade. Essa decisão veio como resposta ao anúncio de Londres de sanções contra assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, incluindo uma proibição comercial para produtos fabricados nessas áreas. A Organização das Nações Unidas e a maioria dos países consideram esses assentamentos ilegais sob o direito internacional, uma posição contestada por Israel.

Apesar da insistência israelense no fechamento, o Reino Unido buscou manter a representação aberta, chegando a enviar seu principal assessor de segurança nacional a Israel na semana passada para negociações. Contudo, o ultimato foi mantido e agora, com a remoção das placas, a situação se torna ainda mais delicada.

Histórico do consulado e a questão dos assentamentos

A presença consular britânica em Jerusalém remonta a quase 200 anos, antecedendo em muito a criação do Estado de Israel em 1948. Este consulado, localizado no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, é responsável pelas relações do Reino Unido com os palestinos em Jerusalém, na Cisjordânia e em Gaza, além de prestar serviços consulares a eles. É importante notar que a ordem de fechamento não afeta a embaixada britânica em Tel Aviv, que cuida das relações diplomáticas com o governo israelense.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido não comentou na quarta-feira sobre a continuidade do funcionamento do consulado ou o retorno de diplomatas. Fontes indicam que a ordem de fechamento afeta cerca de 30 diplomatas britânicos e seus familiares, o que representa um impacto significativo nas operações diplomáticas.

Implicações e futuro das relações bilaterais

Em um sinal da gravidade da situação, a Reuters informou na terça-feira, citando fontes, que o Reino Unido considera expulsar diplomatas israelenses de sua embaixada em Londres em resposta ao eventual fechamento do consulado. Tal medida seria altamente incomum, dado que Reino Unido e Israel são parceiros próximos em áreas como economia, segurança e inteligência, apesar das recentes tensões.

O anúncio das sanções britânicas e a subsequente ordem de Israel para fechar o consulado marcam um novo ponto baixo em uma relação que se deteriorou nos últimos três anos. O Reino Unido tem criticado repetidamente Israel por suas ações na guerra em Gaza e pelos ataques de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia. Por sua vez, o governo de Benjamin Netanyahu acusou o Partido Trabalhista, que governa o Reino Unido, de ser hostil a Israel.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e os desdobramentos dessa importante crise diplomática no Oriente Médio, que pode ter repercussões globais.

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