
A empresária e lobista Roberta Luchsinger fez uma série de declarações contundentes envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e membros do primeiro escalão do governo federal. Em entrevista concedida à emissora de notícias CNN Brasil, exibida no sábado (17), ela detalhou supostos encontros entre empresários e autoridades públicas, relatou ameaças contra familiares e confirmou a intenção de formalizar um acordo de delação premiada.
Atualmente, Roberta é alvo de apurações no âmbito da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal para desarticular fraudes bilionárias contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em decorrência das medidas judiciais cabíveis, a lobista cumpre determinações cautelares que incluem bloqueio de patrimônio, mandados de busca e apreensão e monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Reuniões com ministros e interlocução na agenda de Brasília
Durante o relato, a empresária assegurou que Fábio Luís participava diretamente de reuniões com nomes importantes da administração pública federal. Segundo suas declarações, Lulinha esteve inclusive na residência oficial do então ministro Camilo Santana, no estado do Ceará. Roberta rebateu declarações do mandatário do Executivo e frisou que o presidente tinha pleno conhecimento dessas interações nos bastidores.
A lobista acrescentou que interlocutores estatais a procuravam com frequência, assim como recorriam ao filho do petista, na intenção de abrir portas para audiências formais com a presidência da República. Segundo Roberta, sua ponte principal se dava por meio de Marco Aurélio Ribeiro Santana, conhecido pelo apelido de Marcola e ex-chefe de gabinete presidencial, relação que supostamente agilizava pedidos de audiências e encaminhamentos para projetos de interesse privado.
Em relação às finanças dessa relação, Roberta confirmou que realizou empréstimos financeiros em benefício de Marco Aurélio, embora tenha assegurado a ausência de contrapartidas em licitações ou verbas públicas. Representantes legais de Marco Aurélio afirmaram formalmente que a totalidade dos valores emprestados foi devidamente ressarcida e rechaçaram qualquer prática de favorecimento ilícito.
Negociações contratuais com multinacionais sob suspeita
Outro ponto abordado envolveu a atuação de Lulinha em diálogos comerciais da construtora ECB, vinculada à corporação multinacional portuguesa Mota-Engil. Conforme exposto na entrevista, o filho de Lula teria prestado suporte à companhia para viabilizar negócios com o governo brasileiro. Roberta explicou ter conhecimento das articulações, apesar de não ter operado de forma presencial no caso. A construtora não emitiu manifestação oficial sobre as alegações.
A empresária também respondeu a declarações públicas feitas anteriormente por Lula, que a classificou publicamente como "pilantra" e traçou paralelos com investidores investigados no mercado bancário. Roberta declarou estar sendo tratada como "boi de piranha" para blindar terceiros e chamou o mandatário federal de mentiroso. Além dos ataques verbais, a lobista declarou sofrer coações graves e detalhou que suas duas filhas estão expostas a intimidações contínuas, responsabilizando o chefe do Executivo caso algo atinja sua integridade física.
Tentativa de colaboração premiada e posicionamento oficial das defesas
Roberta Luchsinger revelou que pretende celebrar um acordo de cooperação premiada com a Polícia Federal para complementar lacunas de diálogos de mensagens retidas nas perícias oficiais. A empresária declarou que irá detalhar acontecimentos presenciais de que tomou ciência, independentemente dos nomes implicados no processo.
Em nota oficial divulgada em resposta às acusações, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou desconhecer totalmente as articulações mencionadas e negou terminantemente qualquer contato pessoal ou recepção de pedidos formulados pela empresária. O mandatário também chamou atenção para a repercussão do caso perto de decisões eleitorais.
Por sua vez, a assessoria jurídica de Fábio Luís Lula da Silva informou que as relações mantidas com integrantes da máquina pública são estritamente de caráter particular, desprovidas de negociações ilegais. A defesa salientou ainda que as recentes manifestações de Roberta contradizem afirmações anteriormente prestadas em depoimentos formais à Justiça.
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