TRE-SP multa governador Tarcísio de Freitas por propaganda eleitoral em culto evangélico | Rio das Ostras Jornal

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TRE-SP multa governador Tarcísio de Freitas por propaganda eleitoral em culto evangélico

TRE-SP multa governador Tarcísio de Freitas por propaganda eleitoral em culto evangélico

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi multado em R$ 2 mil pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por realizar um discurso de cunho eleitoral durante um culto na Igreja Evangélica Assembleia de Deus. A decisão, publicada recentemente, considerou irregular o uso de espaço religioso para fins de campanha.

A penalidade se baseia na Lei das Eleições, que equipara templos religiosos a bens de uso comum para fins eleitorais, mesmo que sejam propriedade privada. Locais com acesso público, como igrejas, são categorizados de forma similar a postes ou paradas de ônibus, onde a propaganda política é proibida.

A decisão judicial contra Tarcísio de Freitas

O juiz auxiliar da propaganda eleitoral do TRE-SP, Ronnie Herbert Barros Soares, enfatizou que a liberdade religiosa não conflita com a vedação de uso eleitoral. Ele afirmou que a ilicitude reside exclusivamente no emprego do espaço sagrado para manifestar apoio a candidaturas específicas.

O discurso em questão ocorreu na noite de 17 de agosto, quando Tarcísio de Freitas utilizou o púlpito e o sistema de som da igreja para se dirigir nominalmente a candidatos de seu grupo político, indicando os cargos que disputavam.

Citações e apoio a candidatos

Durante a fala, o governador mencionou o deputado federal Paulo Freire (PL), afirmando que ele deveria “continuar sendo instrumento na Câmara dos Deputados”. Ele também citou o deputado estadual André do Prado (PL) e o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP-SP), ambos concorrendo a vagas no Senado, além da deputada estadual Marta Costa (PSD).

Tarcísio declarou na ocasião: “O Estado de São Paulo merece bons senadores. Merece André do Prado e Guilherme Derrite. A Câmara Federal merece Paulo Freire (…) E a Assembleia Legislativa merece Marta Costa. Aliás, a Assembleia Legislativa merece e eu mereço também, porque eu preciso de alguém para continuar me apoiando lá”.

O juiz Soares reconheceu que a fala iniciou com conteúdo religioso, fazendo referência ao livro de Jeremias, mas apontou uma clara mudança de tom quando o governador passou a abordar a disputa eleitoral e apresentar as candidaturas de seu grupo político.

Argumentos da defesa e rejeição

A defesa de Tarcísio de Freitas alegou que ele foi convidado para o culto e classificou a manifestação como religiosa, sem pedido explícito de voto ou menção a número de urna. Foram invocadas as liberdades de crença e de expressão para solicitar a improcedência da representação.

Contudo, o juiz rejeitou os argumentos. Segundo a decisão, a ausência de frases como “vote em” ou “peço seu voto” não descaracteriza a infração. A apresentação nominal de candidatos, associada à indicação dos cargos e elogios às suas atuações, já configura manifestação de apoio eleitoral. A tese de que a propaganda em templo exigiria número de urna ou associação literal entre resultado eleitoral e vontade divina também foi descartada.

A representação foi apresentada pela coligação Desperta São Paulo, que apoiava o principal adversário de Tarcísio na eleição, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos políticos e judiciais que impactam a Região dos Lagos e o Norte Fluminense, trazendo sempre as notícias mais relevantes do cenário nacional.

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