Pesquisa revela que quase metade dos médicos de Utis no Brasil enfrenta risco de burnout | Rio das Ostras Jornal

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Pesquisa revela que quase metade dos médicos de Utis no Brasil enfrenta risco de burnout

Pesquisa revela que quase metade dos médicos de Utis no Brasil enfrenta risco de burnout
Reuters

Um estudo nacional chocante revelou que quase metade dos médicos que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em todo o Brasil, tanto em hospitais públicos quanto privados, enfrenta um alto risco de burnout. O levantamento, realizado entre março e outubro de 2024, aponta que 48,5% desses profissionais sofrem de exaustão emocional elevada, impactando diretamente sua capacidade de trabalho.

A pesquisa, conduzida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), utilizou o questionário MBI (Maslach Burnout Inventory) para analisar a saúde mental de 2.338 intensivistas. Além da exaustão, 16% dos médicos apresentaram despersonalização aguda, caracterizada por distanciamento afetivo, e 46,4% relataram baixa realização profissional.

Impacto na Saúde Mental dos Intensivistas

O inquérito nacional sobre a força de trabalho médica nas UTIs brasileiras destacou que 68,9% dos intensivistas apresentaram pelo menos uma das três dimensões alteradas: exaustão emocional, despersonalização ou baixa realização profissional. A exaustão emocional se manifesta como a incapacidade de realizar tarefas do ponto de vista físico e mental.

A despersonalização, por sua vez, resulta na perda da empatia e em posturas frias ou cínicas no trato com pacientes e colegas, uma habilidade indispensável para o intensivista. Já a baixa realização profissional reflete a sensação de que o trabalho não traz o retorno ou o reconhecimento esperado.

As principais causas dessa deterioração da saúde mental incluem a carga de trabalho extensa, com longas horas de plantão e múltiplos vínculos de emprego. A exposição constante a situações críticas, como dor, sofrimento e morte, e a pressão por decisões rápidas e assertivas também contribuem significativamente para o quadro.

Causas e Fatores de Proteção Contra o Esgotamento

O estudo aponta que o esgotamento emocional é um dos componentes da síndrome de burnout, caracterizada pela exaustão física e mental associada a um estresse crônico e grave relacionado ao ambiente de trabalho. Durante muito tempo, o burnout foi erroneamente associado à falta de resiliência individual, mas hoje está claro que as condições de trabalho são o fator mais importante, conforme explica Ederlon Rezende, presidente do conselho consultivo da Amib.

Curiosamente, a pesquisa também mediu a satisfação com a vida, e 54,2% dos médicos responderam estar satisfeitos. Uma alta satisfação com a vida diminui o risco de burnout em 25%, demonstrando a importância do bem-estar global. Hábitos como atividade física, convívio social, lazer e alimentação adequada foram associados a uma melhor satisfação com a vida e menor risco de burnout.

Outro fator protetor crucial é o sono saudável, que reduz o risco de burnout em 20%. A medicina intensiva exige a presença de um médico 24 horas por dia, sete dias por semana, o que frequentemente implica plantões noturnos. É fundamental garantir que esses profissionais tenham qualidade de sono, evitando jornadas de 72 horas seguidas ou noites consecutivas de trabalho.

Desafios na Qualificação e Condições de Trabalho

O inquérito também dividiu os médicos de UTI em três grupos: aqueles com RQE (Registro de Qualificação de Especialista) em medicina intensiva, profissionais com especialidades correlatas (clínica médica, cirurgia geral, pediatria, cardiologia, nefrologia, anestesiologia e pneumologia) e aqueles sem registro ou com RQEs não correlatos. Embora não se aprofunde nos resultados específicos de cada grupo, o estudo sinaliza que a educação continuada e a titulação acadêmica atuam como fatores de proteção contra o estresse crônico.

Para Cristiano Franke, presidente da Amib, as ações mais urgentes para melhorar as condições de trabalho dos médicos de UTI envolvem regulamentações sobre a estrutura e o dimensionamento das equipes, tanto em quantidade quanto em qualificação. Ele enfatiza a necessidade de adequar as normas técnicas à carga horária nas UTIs, pois muitas horas seguidas de jornada levam a mais estafa e aumentam a probabilidade de erros e consequências para os pacientes.

José Eduardo Dolci, presidente eleito da AMB (Associação Médica Brasileira) para o período de 2027 a 2029, complementa que a falta de qualificação médica é um problema sério. A abertura indiscriminada de escolas médicas, sem campos de estágio e professores qualificados, resulta na formação de profissionais sem a devida qualificação, que, por sua vez, não encontram residências médicas suficientes para se especializar.

O Rio das Ostras Jornal acompanha as discussões sobre a saúde dos profissionais de saúde na Região dos Lagos e Norte Fluminense.

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