Exposição inédita na Semana de Design celebra a alma de Athos Bulcão em Brasília | Rio das Ostras Jornal

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Exposição inédita na Semana de Design celebra a alma de Athos Bulcão em Brasília

Exposição inédita na Semana de Design celebra a alma de Athos Bulcão em Brasília
Edgard Cesar / Fundação Athos Bulcão

Brasília, a capital federal, se torna palco de uma celebração cultural com a segunda edição da DW! Brasília, a Semana de Design, que acontece entre 22 e 25 de setembro. O evento, já consolidado no circuito nacional, presta uma homenagem especial a Athos Bulcão, um dos maiores nomes do modernismo brasileiro, com uma exposição dedicada à sua vasta obra, conforme noticiado pela Forbes Brasil.

Sob o tema Do Chão nasce o Horizonte, a iniciativa propõe uma imersão nas conexões entre arte, design e arquitetura que moldaram a identidade da cidade. Além da mostra principal, a programação inclui a Feira do Fuga, com curadoria de Valéria Pena-Costa, e mais de cem obras expostas, entre pinturas, gravuras e objetos, reforçando o papel de Brasília como polo criativo e cultural.

Athos Bulcão: A Essência Artística de Brasília

A homenagem central desta edição da DW! Brasília é dedicada a Athos Bulcão (1918 – 2008), artista plástico fundamental para o modernismo brasileiro e mundialmente reconhecido por seus icônicos painéis de azulejos geométricos. Com a curadoria de Valéria Cabral, presidente da Fundação Athos Bulcão, a exposição percorre quase seis décadas da produção do artista, desde 1943 até os anos 2000, apresentando obras pertencentes a colecionadores particulares.

Nascido no Rio de Janeiro em 2 de julho de 1918, Athos Bulcão teve uma formação artística singular. Após abandonar a faculdade de medicina, dedicou-se integralmente às artes plásticas, ingressando no circuito em 1944 com sua primeira exposição individual no Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro. Ele cultivou amizades com grandes nomes da arte e literatura brasileiras, como Carlos Scliar, Jorge Amado, Vinicius de Moraes e Manuel Bandeira, que foram cruciais para seu desenvolvimento artístico.

Um ponto de virada em sua carreira foi o encontro com Candido Portinari, com quem trabalhou como assistente no Mural de São Francisco de Assis, na Pampulha. Essa experiência foi fundamental para aprimorar suas técnicas de desenho e o uso das cores. Valéria Cabral destaca a multiplicidade de Athos: “Athos Bulcão é um artista múltiplo. Utilizou suportes variados para se expressar. Fez capas para discos e livros, ilustrou crônicas para jornais, desenhou figurinos e cenários para Aníbal e Maria Clara Machado e, como ele dizia, teve a oportunidade de ter uma cidade para integrar com sua arte”.

A partir de 1955, Athos Bulcão iniciou uma parceria marcante com Oscar Niemeyer, integrando o projeto de construção de Brasília em 1957. Na capital, seus painéis de azulejos passaram a dialogar diretamente com a arquitetura modernista, tornando-se uma assinatura visual da cidade. Em 1958, inaugurou uma de suas obras mais emblemáticas: o painel de azulejos do Brasília Palace Hotel. Seus padrões geométricos estão presentes em diversos pontos icônicos, como o batistério da Catedral Metropolitana de Brasília, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e o Congresso Nacional, onde assina o relevo em madeira no Hall da Ala Teotônio Vilela, o painel em mármore no Salão Negro e o muro escultórico no Salão Verde da Câmara dos Deputados.

Nos anos 60, sua colaboração com o arquiteto João Filgueiras Lima, conhecido como Lelé, resultou em obras que hoje são ícones em hospitais, escolas e edifícios públicos, consolidando sua influência na paisagem urbana de Brasília e em todo o Norte Fluminense da arquitetura modernista.

Exposição “Entre Tempos” Revela Facetas Inéditas do Artista

A exposição Entre Tempos, organizada pelo Casapark em parceria com a Fundação Athos Bulcão, reúne mais de 40 obras do artista, incluindo desenhos, pinturas e trabalhos sobre temas como carnaval e medicina. A mostra conta com pesquisa historiográfica de Caetano Xavier de Albuquerque e texto crítico de Marília Panitz, oferecendo uma visão aprofundada sobre a trajetória de Bulcão.

Estima-se que cerca de 35 obras desta coleção nunca tenham sido apresentadas publicamente. A maior parte dos trabalhos em exibição data das décadas de 1940 e 1950, um período em que Bulcão ainda não era amplamente conhecido pelo público. Entre os destaques, há uma pintura de um picadeiro de circo de 1940, um vaso de flores, desenhos de nanquim e bico de pena, além de diversos retratos.

Valéria Cabral explica a inspiração por trás de algumas obras: “Os corsos carnavalescos, batalhas de confetes e serpentinas, as cores e as formas das fantasias e as marchinhas fizeram parte de sua infância. Ele também dizia que alguns componentes de suas telas lhe lembravam as células que via nas aulas de anatomia. São, como nos desenhos, lembranças encontradas no imaginário de sua obra”. A exposição também inclui desenhos dos anos 2000 e 2001, que demonstram a sabedoria e pureza com que o artista ocupava as folhas em branco, mantendo viva a força de sua infância.

A mostra Entre Tempos, que inaugurou em 22 de setembro, pode ser visitada gratuitamente até 13 de outubro no Casapark e na Loja Ornare, no Lago Sul, em Brasília. A Fundação Athos Bulcão, que guarda um acervo significativo do artista, também oferece oficinas, palestras e mantém visitação gratuita, contribuindo para a difusão do legado de Athos Bulcão para o público da Região dos Lagos e de todo o Brasil.

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