
No Brasil, a discussão sobre a regulação de plataformas digitais e a fiscalização de conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA) ganha urgência. Recentemente, pesquisadoras renomadas defenderam a ampliação dessas medidas para proteger os usuários e garantir um ambiente digital mais equitativo e transparente em todo o país, incluindo cidades como Rio das Ostras e Macaé, na Região dos Lagos e Norte Fluminense.
A defesa ocorreu durante o webinário "Tecnologias, IA e Eleições", promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras. O evento contou com a participação de Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), e Larissa Santiago, cofundadora da plataforma de comunicação independente Blogueiras Negras, que debateram os impactos dos algoritmos e da IA na sociedade e nos processos democráticos.
A Influência dos Algoritmos e a Necessidade de Escolha
Durante o debate, Fernanda Rodrigues chamou atenção para o funcionamento dos algoritmos de recomendação, que exercem um poder significativo ao determinar quais conteúdos são apresentados aos usuários. Segundo ela, essa padronização pode limitar a diversidade de informações e perpetuar vieses.
“É preciso uma regulação mínima que assegure que as pessoas possam optar por não receber conteúdos padronizados e que assegure que os mecanismos de recomendação não tenham vieses discriminatórios”, afirmou Rodrigues. A medida visa dar mais controle aos cidadãos sobre o que consomem online, impactando diretamente a forma como a informação circula em todo o Interior do RJ.
Inteligência Artificial: Desafios e Educação Midiática
As pesquisadoras também abordaram o desenvolvimento da Inteligência Artificial, ressaltando que essa tecnologia não tem sido pautada pelas demandas da sociedade. Elas criticaram o monopólio das grandes empresas de tecnologia no debate sobre o assunto, o que pode afastar a IA das necessidades reais da população.
Larissa Santiago reconheceu que, em comparação com outros países, o Brasil possui um sistema regulatório de IA com bom potencial. No entanto, ela enfatizou a necessidade de aumentar a fiscalização e, crucialmente, investir em educação midiática. “As pessoas não conseguem entender a diferença entre uma pessoa real e uma pessoa criada pela IA. É preciso educar a população”, destacou, sublinhando a importância de preparar a sociedade para os desafios da era digital.
IA e o Potencial de Violência Política
Ao citar o processo que levou ao impeachment da então presidenta Dilma Rousseff em 2016, Larissa Santiago alertou para a circulação de imagens e notícias distorcidas. Ela pontuou que, mesmo antes da popularização das ferramentas atuais de IA generativa, a desinformação já era uma ferramenta potente.
A pesquisadora afirmou que a tecnologia de IA potencializa a violência política de gênero e raça com o uso de desinformação e deepfakes. “A gente viu isso com a presidenta Dilma. As imagens distorcidas, as notícias distorcidas, até chegar ao golpe”, disse. Essa preocupação se estende a futuros pleitos, com a necessidade de um olhar atento para a integridade do processo democrático em todas as regiões, da Costa do Sol ao Norte Fluminense.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e as discussões sobre a regulação digital no Brasil.
Para mais informações sobre o tema, você pode consultar o site da Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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