
Uma pistola Luger, avaliada em impressionantes US$ 42 milhões (equivalente a R$ 213 milhões) e que teria pertencido a Adolf Hitler, está no centro de uma intensa batalha judicial na Argentina. O caso envolve um técnico de eletrodomésticos e a polícia local, após a arma desaparecer sob custódia estatal em 2016.
A peça, considerada o "Santo Graal das armas de fogo" por especialistas, foi supostamente roubada durante uma operação policial mascarada na residência de Juan Pablo Ruppel, na zona rural da província de Buenos Aires. O incidente levou Ruppel a processar o Ministério de Segurança, buscando indenização pela perda do item de valor inestimável.
O "Santo Graal" das Armas de Fogo
A pistola em questão é uma Luger Parabellum calibre .45, número de série 5, um dos apenas cinco protótipos fabricados em 1907 pelo renomado Georg Luger. Sua raridade e história são tão marcantes que a arma foi mencionada no filme "Wall Street: Poder e Cobiça" como a "pistola mais rara do mundo". No entanto, o que realmente eleva seu valor a patamares estratosféricos é sua procedência: a inscrição "Adolf Hitler" e a conexão com o líder nazista.
Juan Pablo Ruppel, o atual proprietário legal, herdou a arma de seu tio-avô alemão, Hans Ruppel, que foi guarda-costas pessoal de Hitler e a recebeu como presente de aniversário. A jornalista investigativa britânica Laurence de Mello, que acompanha o caso, enfatiza a importância da peça. "Para entender o que está em jogo aqui, é preciso compreender que esta não é apenas uma bela arma de fogo; é um fantasma do Terceiro Reich, a pistola mais valiosa da Terra", afirmou De Mello.
Origem e Conexão com o Terceiro Reich
Hans Ruppel serviu na Divisão Leibstandarte da SS, a unidade de guarda-costas de Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial e fugiu para a Argentina em 1945. Segundo Juan Pablo Ruppel, a pistola foi levada para o país sul-americano em 1948, com a ajuda do então presidente Juan Domingo Perón. É importante ressaltar que Hans Ruppel não foi envolvido nos crimes de guerra de Josef Mengele e nunca foi acusado de atrocidades nazistas.
Curiosamente, a licença de posse da arma, datada de 1979 e registrada no cadastro nacional da Argentina, indicava um endereço em Buenos Aires onde o notório nazista Josef Mengele, conhecido como "Anjo da Morte", viveu por mais de dois anos antes de sua fuga da capital argentina. Essa coincidência adiciona uma camada sombria e intrigante à já complexa história da pistola.
A Batalha Legal pela Indenização
A disputa judicial ganhou novos contornos com o julgamento marcado para março do próximo ano, onde dois policiais que lideraram a operação de busca e apreensão na casa de Ruppel enfrentarão acusações criminais de furto qualificado e violação dos deveres de funcionário público. Juan Pablo Ruppel expressa sua frustração com a situação. "Digo a mesma coisa há 10 anos: se alguém me oferecesse US$ 50 milhões ou a devolução da arma, eu escolheria a arma sempre", declarou Ruppel ao NY Post. "Mas, como ela ainda não apareceu e não posso continuar esperando, quero que o governo pague a indenização."
Laurence de Mello critica a forma como o caso foi conduzido. "Encontrar a Parabellum calibre .45 nº 5 de Georg Luger em estado impecável, o Santo Graal das armas de fogo, na casa de um eletricista rural não me surpreende. O que é incrível é que policiais do interior realizaram uma batida com base em uma premissa falsa para obtê-la e sabiam exatamente o que estavam procurando. Eles a levaram sob custódia do Estado, e o Estado simplesmente não consegue encontrá-la. Isso cheira muito pior do que apenas um policial corrupto", concluiu a jornalista, destacando a gravidade da situação e as suspeitas de corrupção.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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