25/08/2026

Mercado de Data Centers no Brasil Dispara e Atrai Bilhões em Investimentos

Mercado de Data Centers no Brasil Dispara e Atrai Bilhões em Investimentos
Imagem gerada com IA

O mercado de data centers no Brasil está em plena efervescência, com projeções de crescimento recorde e atração de bilhões em investimentos. Um levantamento recente da JLL (Jones Lang LaSalle) aponta São Paulo, Barueri e Campinas como os principais polos, impulsionando a infraestrutura digital do país.

De acordo com o estudo "Data Center Brasil 2026", São Paulo se destaca como o hub mais relevante da América Latina, concentrando 38% dos megawatts (MWs) do país. A expectativa é que essas regiões registrem aumentos significativos de capacidade até 2028, solidificando a posição do Brasil no cenário global de dados.

Crescimento Exponencial e Investimentos Bilionários em Data Centers

O ano de 2026 promete ser um marco para o setor, com a entrega de 106 MW de novos data centers apenas no primeiro semestre, sendo 75 MW em Campinas e 31 MW em São Paulo e Barueri. A Ascenty, por exemplo, já inaugurou uma unidade de colocation de 20 MW em Vinhedo, Campinas.

Para a segunda metade do ano, a previsão é de mais 134 MW, totalizando um investimento aproximado de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 41,1 bilhões). A taxa de vacância dos imóveis de data centers no Brasil se mantém baixa, em 4%, indicando a alta demanda.

Bruno Porto, gerente de Industrial, Logística e Data Center da JLL, ressalta que "56% do novo estoque em construção já está pré-locado, demonstrando o potencial de absorção". A projeção é que o mercado dobre de tamanho até 2030, alcançando 660 MW em construção e atraindo cerca de US$ 17,4 bilhões (R$ 89 bilhões) em investimentos.

Gigantes do Setor: Quem Domina o Mercado de Data Centers

Atualmente, três grandes empresas detêm 70% da capacidade operacional de colocation no Brasil: Ascenty (30%), Odata (20%) e Scala (18%). Equinix e Elea Digital seguem com 9% cada, enquanto Cirion Technologies, Tec.to, Takoda e NextStream, junto a operadoras menores, completam o restante.

Essa configuração, no entanto, está em constante evolução. A Scala, com a inauguração de novas instalações em seu campus de Barueri no segundo semestre de 2026, deve assumir a liderança em capacidade entre as empresas de colocation do país, considerando projetos em andamento e planejados.

Somando todos os estágios, a Scala projeta cerca de 800 MW, superando Ascenty (520 MW), Omnia (500 MW), Odata (480 MW) e Elea Digital (430 MW), sem contar um ambicioso projeto adicional de 1,5 GW, o Scala AI City.

Hyperscalers: Motores da Demanda

A demanda por espaço em colocation é fortemente impulsionada pelos hyperscalers, grandes provedores de serviços em nuvem. A locação de capacidade por essas empresas saltou de aproximadamente 230 MW em 2021 para 780 MW no primeiro semestre de 2026, um aumento de 64% só desde 2025.

A JLL descreve os hyperscalers como os principais clientes das operadoras de colocation, adotando uma estratégia dupla: alugar capacidade de terceiros e, ao mesmo tempo, construir seus próprios data centers.

Cenário Nacional dos Data Centers e Variações Regionais

O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 706 MW de capacidade instalada em data centers, um volume seis vezes maior que o registrado em 2012, com um crescimento composto anual de 15%. Desse total, 563 MW são destinados a clientes de colocation, enquanto 112 MW correspondem a operações próprias de hyperscalers (hyper-owned ou built-to-suit).

O país se destaca na América Latina, respondendo por cerca de metade da capacidade instalada na região. Desde 2019, submercados como Porto Alegre (1.038%) e Campinas (867%) apresentaram os maiores crescimentos percentuais, partindo de bases menores. São Paulo, Barueri e o Rio de Janeiro dobraram de tamanho no período, enquanto Fortaleza cresceu cerca de 45%.

Vacância e Preços por Região

A taxa de vacância varia significativamente entre os submercados. Campinas e São Paulo/Barueri, que concentram a maior capacidade, registram as taxas mais baixas (1% e 6%, respectivamente). O Rio de Janeiro apresenta 3% de vacância.

Em contraste, mercados em expansão como Fortaleza (25%), Brasília (9%) e Porto Alegre (40%) mostram vacâncias mais elevadas, refletindo a entrega de capacidade à frente da demanda contratada. Os preços de locação (sem energia) são divididos em três faixas, com Fortaleza praticando os valores mais altos em todas as categorias, enquanto São Paulo/Barueri e Campinas oferecem os preços mais competitivos.

Fatores Chave e Regulação no Radar

A robusta rede de cabos submarinos é um pilar fundamental para a posição do Brasil no setor de data centers. Fortaleza, Rio de Janeiro e Santos são pontos estratégicos de chegada desses cabos, conectando o país à América do Norte, Europa e África, e garantindo conectividade de baixa latência para serviços digitais, beneficiando também cidades do Interior do RJ e da Região dos Lagos.

Outros fatores que impulsionam o mercado incluem a disponibilidade de terrenos, acesso a energia limpa e de custo reduzido, e um ambiente regulatório favorável. O relatório da JLL também menciona o Redata, um incentivo fiscal aguardando aprovação no Congresso, que promete aquecer ainda mais o setor de data centers no país.

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