
O avanço da Inteligência Artificial (IA) nos buscadores, com a oferta de resumos automáticos, está provocando uma queda significativa no tráfego direto de internautas para sites jornalísticos em todo o Brasil. Essa mudança, que se intensificou a partir de maio de 2024 com o lançamento do AI Overviews do Google, tem corroído o financiamento do jornalismo profissional, uma vez que usuários optam pelos sumários da IA em vez de clicar nos links originais.
A situação é alarmante para o setor de notícias, incluindo veículos do Norte Fluminense e da Região dos Lagos, que dependem da audiência para atrair publicidade. Especialistas alertam que, além do impacto financeiro, a prática pode comprometer a integridade da informação, favorecendo a descontextualização e a proliferação de fake news, impulsionadas pelas mesmas plataformas que dominam o mercado de IA.
Queda de audiência afeta veículos da Costa do Sol
A Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que representa 152 veículos online no Brasil, revelou dados preocupantes. Em 2025, um a cada quatro portais de notícias associados registrou uma perda superior a 20% de sua audiência. Essa diminuição do tráfego vindo de ferramentas de busca é uma preocupação generalizada na indústria jornalística e se manifesta de forma contundente no contexto das associadas da Ajor.
Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, classificou a queda como “preocupante”, pois afeta diretamente a capacidade dos veículos de atrair publicidade, cujo financiamento é calculado com base nas métricas de audiência. O ecossistema jornalístico já enfrenta um cenário de crise, com parte da publicidade migrando para plataformas digitais. Os resumos de IA aprofundam essa crise, dificultando a manutenção dos negócios jornalísticos.
Integridade da informação e casos de plágio
Além do impacto financeiro, Carla Egydio enfatizou que os resumos de IA fornecidos pelos buscadores não entregam o conteúdo completo das reportagens, o que prejudica a qualidade da informação. Isso pode levar à descontextualização e gerar prejuízos significativos para o debate público. Há também casos de cópia literal de conteúdo, configurando plágio, o que levanta sérias questões sobre direitos autorais e a ética da IA.
Um exemplo internacional que repercutiu foi o do veículo Business Insider. Em maio de 2025, a empresa demitiu 21% de seus funcionários após quedas no tráfego de usuários, impulsionadas pelos resumos de IA. Barbara Peng, da direção executiva da companhia, explicou que 70% do negócio é sensível ao tráfego, exigindo uma reestruturação para suportar quedas extremas fora de seu controle.
Marco Regulatório da IA: o debate travado no Congresso
No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tem intensificado a pressão pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 2338, conhecido como Marco Regulatório da IA, que tramita na Câmara dos Deputados desde março de 2025. O projeto, que veio do Senado, propõe que as empresas de IA remunerem pelo uso de conteúdos protegidos pela Lei dos Direitos Autorais, incluindo o jornalismo.
Samira de Castro, presidenta da Fenaj, revelou que o lobby das big techs é “muito forte” e tem dificultado o avanço do PL, especialmente na parte que trata dos direitos autorais. Apesar das fragilidades do projeto, Samira defende que o texto representa um avanço importante para garantir a remuneração do trabalho dos jornalistas. Ela ressalta que, embora o PL não crie mecanismos específicos de transparência sobre quais conteúdos jornalísticos são usados para treinar modelos de IA, isso pode ser objeto de regulamentação futura.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, havia definido o Marco Regulatório da IA como prioridade para o primeiro semestre de 2026. No entanto, a assessoria do parlamentar informou que aguarda a manifestação do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e que a votação deverá ocorrer somente após as eleições de outubro, devido ao atual período eleitoral. A comissão especial que analisa o tema não se reúne desde novembro de 2025, e o relator defende que o assunto precisa de mais debate, especialmente o capítulo sobre remuneração por direitos autorais.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e os desdobramentos dessa importante discussão para o futuro da imprensa em Rio das Ostras, Macaé e em toda a Região dos Lagos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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