
Niterói recebeu o primeiro dia da Festa Literária Internacional (FLIN) 2026 nesta quinta-feira (13), atraindo cerca de cinco mil pessoas ao Reserva Cultural, em São Domingos. O evento, que segue até domingo (16), consolida-se como um polo cultural para a Região dos Lagos e o Norte Fluminense, reforçando o compromisso da cidade com a democratização da leitura e o fomento do pensamento crítico.
Promovida pela Prefeitura de Niterói, através da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a FLIN oferece entrada gratuita e uma programação rica para todas as idades, desde crianças a adultos. A iniciativa visa projetar Niterói como um centro de conhecimento e produção artística, valorizando sua forte tradição nas letras e o impacto cultural para todo o interior do RJ.
Destaques da Programação e Debates
A programação do primeiro dia foi intensa e diversificada, com mesas de debate que abordaram temas cruciais. Entre os painéis de maior destaque, estiveram “Memória, resistência e novo protagonismo”, com Ana Maria Gonçalves e Jeferson Tenório, e “Escrita e leitura, outros suportes”, com a renomada jornalista Miriam Leitão. O universo do esporte e da sociedade também foi explorado em “Futebol, política e democracia”, com Juca Kfouri, Lúcio de Castro e Mário Magalhães, além de “Comunicar o que importa”, com Déia Freitas e Gabi Oliveira.
A pluralidade do evento foi ressaltada pela presidenta da FAN, Micaela Costa, que destacou a FLIN como um espaço de encontro, reflexão e troca. Com mais de 250 autores e expositores inscritos, a festa ampliou seu espaço para acolher a todos, sem cobrança de participação, reafirmando a crença na literatura e na arte como instrumentos de transformação social em Niterói e na Costa do Sol.
FLIN como Motor Cultural e Educacional
Durante o dia, alunos da rede municipal de Niterói marcaram presença, aproveitando especialmente o Espaço Nikitinhos, dedicado às crianças. A programação infantil incluiu a mesa “O sucesso das infâncias”, com Flávia Lins e Silva, criadora de “DPA” e “Os diários de Pilar”, além de apresentações do Palhaço Pic Caramelo e sessões de contação de histórias, como “Era uma vez contos e cantigas” e “Não me toca, seu boboca”, que abordou a prevenção à violência sexual infantil de forma lúdica.
Para Márcia Pessanha, presidente da Associação Fluminense de Letras, a presença de tantas crianças com livros nas mãos é emocionante, representando “sementes que estão sendo plantadas e que vão formar os leitores do futuro”. Ela enfatizou que a FLIN já se tornou um marco para Niterói, valorizando a leitura, a cultura e o encontro entre diferentes gerações, além de mostrar a força da construção coletiva e da inclusão para toda a Região dos Lagos.
Homenagem a Lélia Gonzalez e Diversidade
Um dos pontos altos desta edição da FLIN é a homenagem à antropóloga, filósofa e ativista mineira Lélia Gonzalez (1935-1994). A Arena FLIN dedicou duas mesas à sua memória e legado: “Brasil, Brasis”, que debateu diversidade cultural e pertencimento, e “A escrita como transformação”, que explorou a contribuição de Gonzalez nas áreas de cultura, feminismo, raça e identidade.
A Festa Literária Internacional de Niterói é um evento transversal prioritário no calendário cultural do município, articulando políticas públicas de formação de leitores, estímulo à economia do livro, ocupação dos equipamentos culturais da cidade e promoção da diversidade étnico-racial. Em sua edição de 2026, a FLIN consolida Niterói como referência nacional em feiras literárias gratuitas, integrando o planejamento estratégico da Prefeitura de Niterói para o fortalecimento da cidadania, do turismo cultural e da produção acadêmica e artística, com reflexos positivos para cidades como Rio das Ostras e Macaé.
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