
A Bolsa brasileira não é mais considerada “barata” e carece de gatilhos significativos para retomar seus patamares recordes, conforme a análise da Armor Capital. Essa perspectiva é crucial para investidores e para a economia de cidades como Rio das Ostras e Macaé, na Região dos Lagos e Norte Fluminense, onde o cenário econômico nacional e global impacta diretamente o dia a dia.
Paula Moreno, co-CIO e sócia da gestora, destacou em entrevista ao Money Times que a Selic em patamar elevado exige um desconto na bolsa para compensar o custo de carrego. “Por isso, a gente está vendo a Bolsa brasileira muito ‘fair’, em um fair value”, afirmou Moreno, complementando que o mercado está bem precificado para os riscos atuais.
A gestora prevê que a volatilidade do mercado permanecerá alta no curto prazo. As incertezas geopolíticas, como a guerra entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio, a trajetória dos juros norte-americanos e as eleições de outubro no Brasil, contribuem para um cenário instável. O terceiro trimestre, em particular, promete ser um período de grande oscilação.
Um movimento de alta mais consistente para a bolsa, portanto, ficaria concentrado no fim do ano, dependendo principalmente de um desempenho mais robusto das bolsas em Wall Street. Atualmente, a Armor Capital prioriza o câmbio, estando comprada em real e vendida em bolsa brasileira, com uma projeção de R$ 5,25 para o câmbio, ligeiramente acima das estimativas do Banco Central no último Boletim Focus.
Volatilidade e o retorno do investidor estrangeiro
Após dois meses de saídas, os investidores estrangeiros retornaram à bolsa brasileira em julho, registrando um saldo positivo de R$ 2,5 bilhões em ações listadas, segundo dados da B3. No entanto, Paula Moreno ressalta que esse movimento de entrada tem o mesmo fundamento do início do ano: uma rotação global de ativos em meio às incertezas do cenário internacional.
“No início do ano houve um movimento de diversificação para outras regiões, beneficiando o Brasil. Depois, com a guerra e o fortalecimento do dólar, parte desse fluxo saiu. Agora estamos vendo uma volta, mas não é uma volta grande. É um movimento simplesmente de rotação”, explicou a co-CIO. A continuidade dos cortes da Selic, com juros estáveis nos Estados Unidos, também deve sustentar o interesse por ativos locais.
A Armor Capital projeta a Selic em 13,75% ao ano, indicando uma nova redução de juros na decisão de setembro e manutenção da taxa até dezembro no Brasil. Nos Estados Unidos, a taxa de juros deve permanecer na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. “A inflação surpreendeu para baixo e o Banco Central continua cortando os juros. Esse é um fator positivo para o Brasil”, afirmou Moreno.
Impacto limitado de tarifas e a força do petróleo
As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no mês passado têm um impacto limitado na visão da Armor Capital. “Do ponto de vista de alocação, não mudou nada para a gente”, declarou Paula Moreno. A maior parte da pauta exportadora do Brasil para os EUA, como combustíveis, café, carnes, suco de laranja e aeronaves, permanece isenta da sobretaxa.
Considerando essas exceções, o impacto financeiro estimado da medida seria de aproximadamente US$ 9 bilhões, segundo cálculos da gestora. Contudo, esse valor deve ser compensado pela recente alta dos preços do petróleo. “Nós temos uma adição da ordem de US$ 15 bilhões com os preços do petróleo mais elevados. Isso tem um impacto maior do que o do ‘tarifaço’”, pontuou Moreno.
A gestora também observa que o Brasil continua relativamente protegido, uma vez que muitas empresas exportadoras possuem maior exposição à Ásia do que aos Estados Unidos, mitigando os efeitos das novas tarifas. O Rio das Ostras Jornal acompanha o cenário econômico e seus desdobramentos para a Costa do Sol e todo o Interior do RJ.
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