16/08/2026

Alerta climático: ondas de calor negligenciadas ameaçam o Brasil e Região dos Lagos

Alerta climático: ondas de calor negligenciadas ameaçam o Brasil e Região dos Lagos
Imagem gerada com IA

Um alerta crucial foi emitido para o Brasil, incluindo a Região dos Lagos e o Norte Fluminense, sobre as ondas de calor, consideradas um desastre "completamente negligenciado". A pesquisadora Renata Libonati, do Departamento de Meteorologia da UFRJ, destacou em 11 de agosto de 2026, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, que esses eventos climáticos podem se tornar mais intensos e frequentes com a chegada de um novo El Niño.

Apesar de dados do SUS indicarem mais de 50 mil mortes relacionadas a ondas de calor entre 2000 e 2020 em 14 regiões metropolitanas do país, a gravidade do problema ainda é subestimada. Libonati, que também integra o Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da OMM, ressalta que esse número é 20 vezes maior que o de óbitos por deslizamentos no mesmo período, evidenciando a falta de reconhecimento da ameaça.

“Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados com calor. E não é verdade”, afirmou a pesquisadora. Cientistas preveem que o El Niño, que altera a circulação dos ventos e o clima global, fará com que 2026 registre temperaturas excepcionalmente altas. Além dos impactos diretos na saúde, o fenômeno favorece o acoplamento de ondas de calor, secas e incêndios, aumentando as condições para a propagação do fogo.

“Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Temos um contexto de mudança climática com um acoplamento maior entre seca, fogo e ondas de calor”, explicou Libonati.

Impactos do El Niño: Variações Regionais e Alerta para o Sudeste

Os efeitos do El Niño não serão uniformes em todo o território nacional, conforme explicou José Marengo, pesquisador do Cemaden. No Sul do país, o fenômeno geralmente está associado ao aumento das chuvas e, consequentemente, a um maior risco de enchentes.

Já no Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento do risco de seca. No Centro-Oeste, pode haver atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. Para o Sudeste, onde se localizam cidades como Rio das Ostras e Macaé, a expectativa é de temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas, um cenário que exige atenção redobrada.

“O El Niño não cria problemas. Ele agrava a situação de problemas que já existem”, pontuou Marengo. O pesquisador enfatizou que os impactos do fenômeno transcendem o campo meteorológico, atingindo a produção de alimentos, o transporte, o fornecimento de energia e a economia como um todo. “É um choque climático que afeta todos esses setores, portanto, tem impacto sobre a vida de todas as pessoas”, declarou.

Adaptação Climática: Desafio Urgente para Cidades Brasileiras

Paulo Artaxo, da USP, que participou dos três últimos relatórios do IPCC, ressaltou a urgência de o Brasil acelerar sua adaptação a um clima que já apresenta temperaturas mais elevadas e maior frequência de eventos extremos. O país já registra um aquecimento médio próximo de 2 °C, acima da média global.

Para Artaxo, experiências anteriores de desastres deveriam ter servido de lição para os governos municipais, estaduais e federal. “A gente tinha que estar mais bem preparado para a chegada de um próximo El Niño, para não repetir sofrimentos iguais aos que tivemos em 2024”, afirmou o pesquisador.

Os processos de adaptação climática nas cidades devem considerar as desigualdades sociais, uma vez que os efeitos dos eventos extremos não atingem a população de maneira uniforme. “Esses fenômenos impactam principalmente os mais vulneráveis, os mais pobres”, destacou Artaxo.

A vulnerabilidade está ligada ao acesso desigual a serviços de saúde, às condições de moradia – como casas com telhados de zinco que retêm calor à noite – e à possibilidade de usar mecanismos de refrigeração. “É responsabilidade nossa cuidar para minimizar esses danos na população”, disse Artaxo, lembrando que o Brasil, como a nona maior economia do planeta, tem capacidade para implementar estratégias de adaptação climática eficazes.

O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando os desdobramentos e as iniciativas de preparação para os impactos climáticos na Região dos Lagos e Norte Fluminense.

Este texto foi originalmente publicado pela Agência Brasil, em 11 de agosto de 2026, e adaptado para o padrão do Rio das Ostras Jornal.

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