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A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou o ambicioso projeto 'Praça Onze Maravilha', que promete uma profunda transformação urbanística na região histórica da Praça Onze e no entorno do Sambódromo. A iniciativa, recentemente sancionada pelo prefeito Eduardo Cavalieri, visa requalificar a paisagem urbana e impulsionar o desenvolvimento local, com foco na atração de investimentos e na melhoria da qualidade de vida dos moradores.
Com investimentos estimados em R$ 1,7 bilhão, o plano busca ampliar a atratividade turística da região, incentivar a ocupação de áreas subutilizadas e aumentar a oferta de moradia, comércio e serviços. O projeto também foca na preservação da população residente e no fortalecimento da política habitacional na capital fluminense, prometendo não realizar desapropriações, mas gerando apreensão entre parte dos moradores.
Principais Mudanças e Novas Estruturas
Uma das intervenções urbanísticas mais impactantes será a demolição do Elevado 31 de Março, uma estrutura que há décadas define a paisagem local. Em seu lugar, será implantada uma nova avenida, com uma configuração viária moderna que poderá ser na superfície ou no subsolo, dependendo de estudos futuros que apontarão a melhor solução. Essa mudança visa integrar a região e melhorar o fluxo de tráfego.
O próprio Sambódromo da Marquês de Sapucaí passará por uma requalificação, buscando uma maior integração com o seu entorno, transformando a passarela em um espaço mais acessível e convidativo fora dos períodos de carnaval. Entre os novos equipamentos culturais e turísticos, destaca-se a implantação da Biblioteca dos Saberes, um projeto que será assinado pelo renomado arquiteto burquinês Francis Kéré, adicionando um ponto de cultura e conhecimento à área.
A mobilidade urbana também será beneficiada com a previsão de um convênio com o governo do Estado para auxiliar no desenvolvimento do projeto de extensão da linha 2 do metrô. A ideia é atender a Praça da Apoteose e o bairro do Catumbi, com a construção do trecho Estácio-Carioca e duas novas estações: Catumbi e Praça da Cruz Vermelha. Essa expansão promete facilitar o acesso e a conexão da região com outras partes da cidade.
Novas Regras Urbanísticas e Incentivos
O projeto Praça Onze Maravilha introduz novas regras urbanísticas que dividem a região em setores com parâmetros específicos de ocupação. Uma das exigências é que todas as novas edificações tenham fachadas ativas, que promovem a interação entre o espaço privado e a área pública, dinamizando as ruas e calçadas. Há também um forte estímulo ao retrofit de imóveis para uso residencial e o incentivo à produção de moradia estudantil, visando atrair novos moradores e revitalizar o tecido urbano.
Assim como o programa Reviver Centro, o Praça Onze Maravilha concederá um bônus urbanístico, conhecido tecnicamente como 'operações interligadas'. Esse mecanismo permite que empresários que investem na região apliquem parte do potencial construtivo em empreendimentos em outras áreas da cidade, nas zonas Sul e Norte. Os bairros receptores incluem Rio Comprido, Copacabana, Leme, Ipanema, Lagoa, Botafogo, Flamengo, Catete, Glória, Tijuca e Praça da Bandeira, além de todos os bairros da Zona Norte que integram a Área de Planejamento 3 (AP 3), exceto a Ilha do Governador. Essa medida permite o aumento de gabarito em áreas receptoras mediante contrapartida financeira, com regras específicas e potencial construtivo diferenciado para cada região.
A transformação urbanística também deverá observar as visadas do bairro de Santa Teresa, reconhecido por sua relevância paisagística e urbana para a cidade. Os projetos poderão ser implementados diretamente pelo poder público ou por particulares contratados pela administração municipal, priorizando o uso de imóveis públicos ociosos como mecanismo de impulsionamento da transformação urbana, incluindo a implementação de habitações de interesse social.
Gestão de Imóveis e Preocupação Social
Para financiar as despesas do projeto, sessenta e um imóveis da prefeitura, localizados principalmente no Centro, no Estácio e na Cidade Nova, podem ir a leilão. Na lista de imóveis disponíveis, o considerado mais valioso é o da Cidade do Samba, na Rua Rivadávia Corrêa 60, que abriga os barracões das 12 escolas do Grupo Especial do carnaval carioca. No entanto, a lei estabelece a continuidade das atividades das escolas de samba, impedindo que os trabalhos sejam interrompidos durante o processo de modernização ou eventual transferência de local.
O Centro de Artes Calouste Gulbenkian, na Cidade Nova, também pode ser visado pelo mercado. Caso seu imóvel seja negociado, o espaço será transferido para outro local na mesma região, garantindo a continuidade das atividades do centro municipal. Para acompanhar todas as etapas e garantir a transparência, foi criado um Comitê de Acompanhamento das obras, com participação da prefeitura, Câmara Municipal, moradores, sociedade civil e representantes de atividades econômicas locais.
Apesar das garantias da prefeitura de que não haverá desapropriações, moradores da Praça Onze expressaram preocupação com os impactos das intervenções. Renato Pinto de Amorim, residente há 65 anos na região, destacou a apreensão da população em relação a 324 imóveis classificados como alienados, que poderão ser vendidos ou leiloados.
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