Polícia Federal apura conluio entre Itaú e Santander em caso Americanas | Rio das Ostras Jornal

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Polícia Federal apura conluio entre Itaú e Santander em caso Americanas

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A Polícia Federal (PF) deflagrou a 2ª fase da Operação Disclosure, investigando a possível atuação coordenada dos bancos Itaú e Santander para omitir informações cruciais sobre as operações financeiras da Americanas. A apuração, que tem repercussão em todo o país e pode impactar a economia de cidades como Rio das Ostras e a Região dos Lagos, foi revelada por uma decisão judicial da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, divulgada nesta quinta-feira (9) pelo portal UOL.

A suspeita central é que as instituições financeiras teriam emitido "cartas de circularização" incompletas, documentos essenciais para auditorias externas, sem detalhar operações de risco que a Americanas mantinha. Essa omissão teria permitido à varejista mascarar parte de seu real endividamento do mercado financeiro e dos auditores, conforme apontado pelo Ministério Público Federal (MPF).

Entenda a suposta omissão de dados

A investigação da Polícia Federal se concentra nas "cartas de circularização", documentos padrão onde os bancos confirmam a auditores externos os saldos e operações de uma empresa. No caso da Americanas, a PF suspeita que Itaú e Santander teriam deixado de fora dessas cartas informações sobre operações de "risco sacado". Este modelo financeiro envolve o banco antecipando pagamentos a fornecedores da varejista, que então passa a dever diretamente ao banco, gerando uma dívida bancária que deveria ser declarada.

A ausência dessas informações nas auditorias teria sido fundamental para a Americanas ocultar uma parcela significativa de seu endividamento. A decisão judicial que revelou a nova fase da Operação Disclosure cita mensagens trocadas entre executivos dos bancos e Fábio Abrate, ex-diretor financeiro da varejista, como evidência.

Diálogos indicam coordenação entre bancos

Os diálogos interceptados pela Polícia Federal sugerem que a Americanas solicitava a um executivo do Itaú a remoção de certas informações das cartas destinadas aos auditores. Em outra conversa, a varejista teria indicado que o Santander só faria alterações se o Itaú também as adotasse.

Para a juíza Giovana Calmon, responsável pelo caso na 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, essas trocas de mensagens apontam para uma possível ação conjunta entre as duas grandes instituições financeiras. O objetivo seria atender às solicitações fraudulentas da antiga administração da Americanas, contribuindo para a maquiagem contábil que levou ao escândalo bilionário.

Posicionamento do Itaú e Santander

Em resposta às investigações, o Itaú Unibanco declarou em nota que foi uma das vítimas da fraude da Americanas, sofrendo perdas bilionárias. O banco afirmou ainda que já comprovou à Justiça a regularidade da atuação de seus funcionários e que recusou formalmente os pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar as cartas de circularização.

Por sua vez, o Santander também se posicionou, afirmando que foi vítima das fraudes e que a realização de operações bancárias regulares com a empresa não implica, de forma alguma, participação nas irregularidades sob investigação. A Polícia Federal segue apurando os fatos para determinar a extensão da suposta participação dos bancos no esquema.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso, que tem repercussões importantes para o mercado financeiro e a credibilidade das auditorias no Brasil, impactando indiretamente a economia da Região dos Lagos e do Norte Fluminense.

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