
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou uma suposta discrepância de quase R$ 1 milhão em um termo aditivo de contrato do Instituto Rio Metrópole (IRM). A descoberta é um dos pilares técnicos da denúncia apresentada contra a cúpula da autarquia, sob investigação por suspeitas de organização criminosa, fraude em licitações e lavagem de dinheiro que impactam diretamente a gestão pública na Região Metropolitana do Rio e, consequentemente, o Interior do RJ.
Segundo os investigadores, um aditivo firmado com a empresa R. Peotta Engenharia e Consultoria teria registrado um valor global significativamente superior ao que deveria constar no documento. A diferença apontada pelo MPRJ é de exatos R$ 972.264,45, levantando sérias questões sobre a transparência e a legalidade dos processos administrativos.
Divergência financeira detalhada em contrato do IRM
A análise minuciosa apresentada na denúncia do Ministério Público detalha a inconsistência. O contrato original, segundo o MPRJ, tinha um valor de R$ 13.029.546,44. O termo aditivo em questão previa um acréscimo de R$ 9.334.540,59, o que, em um cálculo simples, elevaria o valor total do contrato para R$ 22.364.087,03. No entanto, o documento passou a registrar como novo valor global a quantia de R$ 23.336.351,48.
O Ministério Público enfatiza na denúncia que não há qualquer justificativa expressa no processo administrativo para essa diferença substancial, que se aproxima de R$ 1 milhão. Mais grave ainda, o montante supostamente inflacionado teria sido incorporado ao contrato e utilizado como referência para aditivos subsequentes, perpetuando a distorção financeira ao longo de toda a execução do serviço. Essa prática pode ter gerado prejuízos significativos aos cofres públicos, afetando a capacidade de investimento em outras áreas essenciais para cidades como Rio das Ostras e Macaé, na Região dos Lagos e Norte Fluminense.
Operação Ouroboros mira cúpula do Instituto Rio Metrópole
A investigação do MPRJ, que culminou na Operação Ouroboros, teve início a partir de auditorias internas realizadas pelo próprio governo estadual. A Controladoria Geral do Estado (CGE) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) identificaram indícios de irregularidades no IRM e encaminharam o material ao Ministério Público, que aprofundou as apurações.
A Operação Ouroboros tem como alvo a estrutura de comando do Instituto Rio Metrópole, uma autarquia de grande relevância, responsável pelo planejamento e execução de políticas públicas para a Região Metropolitana do Rio. A ação resultou na prisão de seis pessoas nesta terça-feira, 09 de junho, incluindo figuras-chave da instituição.
Entre os detidos estão Mauricio Silva Knoploch, diretor de planejamento e projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), e Amanda Íthala Santos da Paschoa, nora de Maurício e cunhada do parlamentar. As prisões destacam a seriedade das acusações e o alcance da investigação, que busca desarticular um esquema complexo de desvio de recursos públicos. O caso reforça a importância da fiscalização contínua sobre órgãos públicos que gerenciam contratos milionários, visando proteger o patrimônio da Costa do Sol e de todo o estado do Rio de Janeiro.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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