
O debate sobre a qualidade da liderança política no Brasil ganha força, com uma análise que traça paralelos entre a gestão pública atual e o período dos governos autoritários (1964-1985). A discussão, que surge após a efervescência da Copa do Mundo, reflete uma preocupação generalizada com o desempenho e a capacidade de figuras em cargos de relevo no país, desde ministros a governadores.
A percepção de que houve uma queda na qualidade e no desempenho não se restringe apenas ao cenário político. Observa-se um declínio semelhante na vida pública e até mesmo no setor empresarial, onde grandes corporações e o poderoso mercado financeiro parecem carecer de lideranças fortes e empreendedoras, sendo muitas vezes comandados por executivos sem a figura do banqueiro ou do visionário.
Liderança política: A percepção de um declínio
A dificuldade em nomear mais de quatro dos atuais quarenta ministros, mesmo entre leitores atentos, é um sintoma da falta de reconhecimento e, para alguns, da menor projeção das figuras que hoje ocupam posições de destaque. Essa realidade contrasta com um passado recente, onde nomes de gestores públicos eram mais facilmente identificáveis e associados a grandes projetos e transformações. A discussão sobre a qualidade dos quadros que compõem o serviço público e a esfera política é crucial para o desenvolvimento do país e, por extensão, de regiões como Rio das Ostras, Macaé e todo o Norte Fluminense.
O legado dos "coronéis" e a gestão pública
É inegável, para muitos analistas, que os governos autoritários entre 1964 e 1985 revelaram uma notável "seleção de talentos" na gestão pública brasileira. Homens na faixa dos 40 anos, em sua maioria coronéis militares, foram responsáveis por impulsionar o Brasil com grandes obras de infraestrutura, planejamento estratégico e uma reputada correção no trato da coisa pública. Nomes como o Coronel Jarbas Passarinho, ministro em diversas pastas e governos, e Mário Andreazza, um dínamo nos setores de transportes, habitação e saneamento em três gestões, são lembrados por sua capacidade de execução e visão.
Outros exemplos marcantes incluem Rubem Ludwig, inesquecível ministro da Educação; César Cals, que foi governador do Ceará e ministro de Minas e Energia; Costa Cavalcanti, deputado federal em 1964 e figura central na construção da Usina de Itaipu, além de ministro em múltiplas funções; e Haroldo Corrêa de Mattos, creditado pelo formidável avanço nas Comunicações. A memória histórica aponta que nenhum desses líderes acumulou fortunas ilícitas ou promoveu filhos em carreiras empresariais ou políticas duvidosas, reforçando a percepção de integridade.
A dedicação e competência militar também beneficiaram o Norte do país, com a atuação do Coronel Jorge Teixeira. Ele foi prefeito de Manaus e, como Oficial da ativa, comandou o Colégio Militar. Em Rondônia, sua visão foi fundamental para a fundação do estado, deixando um legado de desenvolvimento e organização.
Talentos além do militarismo e o cenário atual
No campo econômico, o período militar soube atrair o que havia de melhor no país, contando com figuras de peso como Roberto Campos, Octavio Bulhões, Mário Henrique Simonsen, Delfim Netto e Ernane Galvêas. Esses economistas foram essenciais para a formulação de políticas que moldaram a economia brasileira por décadas. A qualidade se estendia à classe política, com senadores da estatura de Magalhães Pinto, Gilberto Marinho, Amaral Peixoto, Dinarte Mariz, Antônio Carlos Magalhães, Filinto Müller e Murilo Badaró, entre outros, que se destacavam por sua influência e articulação.
O Supremo Tribunal Federal (STF) da época também era composto por juristas de reputação ilibada, como Leitão de Abreu, Moreira Alves, Célio Borja, Antônio Neder, Oscar Corrêa e Bilac Pinto. A capacidade de militares em identificar e selecionar civis por mérito, comparada no texto original à escalação de uma "seleção" de futebol com craques como Garrincha, Didi e Pelé, levanta a questão sobre o que mudou no processo de escolha e formação de nossas lideranças.
A reflexão sobre essa mudança é vital para o futuro do Brasil e de suas diversas regiões, incluindo a Costa do Sol e o interior do RJ. Garantir que a gestão pública seja conduzida por indivíduos de alta competência e integridade é um desafio contínuo para a democracia.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o debate sobre a qualidade da gestão pública e seus impactos na Região dos Lagos. Para mais informações sobre o cenário político e econômico, consulte fontes confiáveis como o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas.
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