
A pré-campanha do deputado estadual Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro enfrenta uma crise profunda. Desde maio, uma série de operações policiais envolvendo aliados e ex-membros da gestão Cláudio Castro tem gerado apreensão e abalado os planos do partido para as eleições de 2026.
Nos bastidores, a federação União Progressista (União Brasil e PP), principal fiadora da chapa formada em fevereiro, expressa temor de que o avanço das investigações amplie o desgaste do PL no estado, prejudique a imagem do pré-candidato e comprometa o desempenho eleitoral da aliança, com reflexos em cidades como Rio das Ostras e Macaé, na Região dos Lagos.
Onda de Investigações Abala Aliados Políticos
O clima de apreensão foi agravado nesta semana por duas ofensivas significativas. Na última quinta-feira (9/7), o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou prisões de pessoas ligadas a um suposto esquema de desvios no Instituto Rio Metrópole (IRM). Entre os detidos está Maurício Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do órgão e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL). As investigações sobre o caso foram amplamente divulgadas, como noticiado por diversos veículos.
Dias antes, Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo e indicado para uma das vagas ao Senado na chapa de Ruas, foi alvo da Polícia Federal (PF). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis, culminando na prisão em flagrante de Canella por posse ilegal de arma. A situação de Canella é vista como um grande revés para a composição da chapa.
A turbulência no noticiário policial, contudo, assombra a coligação desde maio. Naquele mês, o ex-governador Cláudio Castro (PL) foi alvo da PF em apurações sobre fraudes ligadas ao Banco Master e à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O episódio levou Castro a desistir de disputar o Senado pela chapa de Ruas, deixando uma lacuna importante.
Impacto na Campanha e Temor de Novas Ações
O temor de aliados de Ruas é que novas operações mirem antigos membros da gestão Castro. O governo estadual é comandado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto e, segundo o MPRJ, a operação sobre o IRM foi fruto de auditorias iniciadas por ordem de Couto. Políticos do entorno de Ruas, sob reserva, temem que o "pente-fino" do governo interino abasteça novas ações da PF e do MP.
Um dirigente da federação entre União Brasil e PP avaliou que as investigações colocaram “uma bola de ferro em todos que estão no entorno” da chapa do atual presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). “Ele tem chances, nossa candidatura é boa, mas a situação está complicada. Hoje, se me pedissem para apostar, eu apostaria que vai ter nova operação do MP ou da PF contra as pessoas do governo do Castro e do PL. Isso é muito ruim”, desabafou a fonte.
O receio é compartilhado por uma liderança do PP, que disse enxergar a construção de uma imagem de que há “problemas e investigações rondando” o palanque. “Com novos episódios, vai ser difícil a gente seguir tranquilo. Se vier mais uma paulada, a gente vai ter que sentar e procurar entender o que é melhor para nós”, pontuou. Parlamentares também temem desdobramentos de investigações ligadas ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, atualmente preso, que tem “potencial para queimar muita gente”.
Estratégias e o Cenário Eleitoral no Rio
Douglas Ruas, atual presidente da Alerj, já enfrentava dificuldades para alavancar seu nome na corrida ao Palácio Guanabara. Planos de assumir o governo interinamente para ganhar visibilidade ou de disputar uma eleição fora de época esbarraram na renúncia de Castro e em questionamentos judiciais sobre o formato da sucessão.
Ex-secretário de Cidades da gestão passada, Ruas agora tenta um distanciamento tático do antigo aliado. Pessoas próximas a ele defendem que sejam feitas críticas ao antigo governo para tentar blindar sua imagem eleitoral. A estratégia, contudo, é vista com ceticismo. Aliados acreditam ser inevitável que adversários vinculem a figura de Ruas às operações do governo Castro. Eduardo Paes (PSD), seu principal oponente, já tem usado as redes sociais para associar o PL fluminense a supostos ilícitos.
Paes lidera as pesquisas de intenção de voto. Segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado na última semana, o ex-prefeito do Rio de Janeiro lidera com folga a disputa com 54,2%, contra 14,6% de Ruas, no primeiro turno. Este cenário desafiador se estende por todo o Norte Fluminense e Costa do Sol, onde a percepção pública é crucial.
O Dilema do PL e a Indefinição do Senado
Berço político da família Bolsonaro, o Rio de Janeiro foi um dos primeiros palanques estaduais definidos pelo PL e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que se envolveu diretamente nas articulações. Às vésperas das convenções partidárias, o cenário se deteriorou. A vaga ao Senado deixada por Castro segue indefinida e há expectativa de que Canella também abandone a corrida.
A direção do PL fluminense esperava que Flávio anunciasse o novo candidato ao Senado na última semana. O senador, porém, informou a aliados que ainda precisava conversar com o pai antes de bater o martelo. Em seguida, embarcou para os Estados Unidos, o que interrompeu o avanço das negociações. Os principais nomes na corrida são o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e o atual líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ).
Aliados de Flávio Bolsonaro têm defendido que ele adie o anúncio a fim de evitar “exposição desnecessária” para o substituto de Castro. Paralelamente, dirigentes do PL, do União Brasil e do PP defendem que Márcio Canella desista da candidatura ao Senado. A decisão ainda não foi oficializada, mas a pressão é grande. A demora para definir a chapa tem fragilizado o palanque estadual e dificultado a organização da campanha dos candidatos aliados, impactando a estabilidade política de todo o Interior do RJ.
O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando de perto os desdobramentos desta complexa situação política no estado.
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