
A gigante chinesa de tecnologia Alibaba anunciou a proibição do uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) da Anthropic por seus funcionários, a partir desta sexta-feira (10). A decisão, que afeta o popular Claude Code, vem após a inclusão do software em uma lista interna de alto risco, alegando vulnerabilidades de segurança e a presença de possíveis “backdoors”.
A medida foi confirmada pela CNBC, com fontes que preferiram manter o anonimato devido à sensibilidade do assunto. Com a nova política, os colaboradores da Alibaba estão sendo instruídos a desinstalar todos os modelos e produtos da Anthropic e a adotar o assistente de IA próprio da empresa chinesa, conhecido como Qoder.
Escalada de tensões e acusações mútuas
A proibição da Alibaba não surge isolada, mas em um cenário de crescentes tensões entre as duas empresas e no contexto mais amplo da rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China. Em junho, a Anthropic enviou uma carta ao Comitê do Senado dos EUA sobre Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos, acusando a Alibaba de tentar extrair suas capacidades de IA de forma “descarada” e “ilícita”. A empresa estadunidense classificou a ação como o “maior ataque de destilação conhecido” contra ela até o momento.
Os termos de serviço da Anthropic são claros ao proibir empresas chinesas e de outras “nações adversárias” de utilizar seus modelos. A decisão da Alibaba também coincide com uma onda de reações negativas na China contra a Anthropic, impulsionada por publicações no Reddit e no GitHub que detalhavam o uso de um código oculto. Este código teria como objetivo detectar se os usuários estariam baseados no país asiático, levantando preocupações sobre privacidade e soberania de dados.
Implicações para o mercado e segurança de dados
A disputa entre Alibaba e Anthropic ressalta a complexidade e os riscos inerentes ao desenvolvimento e uso de inteligência artificial em um cenário geopolítico polarizado. A segurança dos dados e a proteção da propriedade intelectual tornaram-se pontos cruciais, especialmente quando se trata de tecnologias emergentes como a IA, que podem ter aplicações estratégicas e militares.
O Financial Times reportou recentemente que a Anthropic tem tomado medidas para fechar brechas que permitiram a empresas chinesas contornar as restrições e acessar o Claude por meio de terceiros países. Entre os casos citados, o grupo de fintech Ant teria fornecido a funcionários contas corporativas do Claude acessadas pela intranet da empresa, conectada à sua entidade sediada em Singapura. A ByteDance, controladora do TikTok, também foi mencionada por um programa de reembolso que permitia a engenheiros registrar assinaturas pessoais como despesas, acessadas por redes privadas virtuais.
Esses incidentes destacam a dificuldade em impor barreiras digitais em um mundo interconectado e a constante busca por soluções de contorno por parte de empresas que desejam acesso às tecnologias mais avançadas, independentemente das restrições. A proibição da Alibaba, ao mesmo tempo em que protege seus interesses e dados, também acelera a adoção de suas próprias soluções de IA, como o Qoder, reforçando a autonomia tecnológica chinesa.
O Rio das Ostras Jornal acompanha os desdobramentos dessa importante disputa no cenário tecnológico global.
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