Ações de tecnologia global em xeque: analistas preveem reflexos no Ibovespa | Rio das Ostras Jornal

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Ações de tecnologia global em xeque: analistas preveem reflexos no Ibovespa

Imagem gerada com IA
Imagem gerada com IA

Nas últimas semanas, os índices ligados à tecnologia, como o S&P 500 e o Nasdaq, nos Estados Unidos, e o Kospi, na Coreia do Sul, mostraram volatilidade com sessões marcadas pela forte liquidação dos ativos, enquanto outras eram de recuperação e continuidade do trade de inteligência artificial (IA).

Em junho, o S&P 500 recuou 1%, enquanto o Nasdaq derreteu mais de 3%, algo que não era observado há alguns meses. Recentemente, o mercado voltou a colocar em xeque os altos investimentos (capex) do setor tech, enquanto a expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos segue no radar.

Ainda assim, analistas entrevistados pelo Money Times avaliam que o rali de IA não chegou ao fim, mas um conjunto de fatores — o preço dos ativos, rebalanceamento das carteiras com a virada do semestre e rotação tática para setores mais defensivos — gerou uma pausa na alta das ações.

Ajustes técnicos

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, o movimento observado no fechamento do S&P 500 e do Nasdaq não representa necessariamente um desinteresse sistêmico.

“A desvalorização observada no fechamento do semestre é explicada, em grande parte, pela dinâmica de rebalanceamento de portfólios institucionais, embolsando parte da performance até o momento”, explica.

Antes do primeiro semestre acabar, o ETF VanEck Semiconductor, exposto a grandes nomes do setor tech, como Nvidia, Taiwan Semiconductor (TSMC) e Broadcom, apresentou alta expressiva, com salto de 82%. Nos dias seguintes, porém, as ações de semicondutores caíram diante da realização de lucro dos investidores.

Na mesma linha, Jonathan Joo Lee, chefe da mesa de câmbio e internacional da Mirae Asset, observa que é importante fazer a distinção entre correção do preço das ações e a quebra da tese fundamentalista de IA. “Até agora, eu vejo mais o primeiro caso”, diz.

Segundo Lee, a queda brusca, inclusive com circuit breaker em algumas bolsas, não veio de um único gatilho: foi uma combinação de trade lotado, valuation esticado, dúvida sobre retorno do capex de IA e desalavancagem técnica.

“Na minha leitura, o que quebrou não foi a tese de IA em si. O que quebrou foi a tolerância do mercado a pagar qualquer preço por essa tese. O trade estava extremamente cheio, principalmente em semicondutores, memória e infraestrutura de IA”, explica. “Quando começaram a aparecer sinais de que o crescimento talvez não justificasse múltiplos tão altos no curto prazo, a realização virou queda técnica e, em mercados muito concentrados, virou circuit breaker.”

A Coreia do Sul foi um exemplo disso, avalia, acrescentando que o movimento foi amplificado porque Samsung e SK Hynix têm peso enorme no índice e são nomes centrais da cadeia de memória para IA. Diante disso, o KOSPI chegou a cair perto de 8%, acionando o circuit breaker, com esses papéis liderando as perdas.

Além disso, outro fator que contribuiu para a perda de tração das ações de tecnologia, segundo Lobo, da Nomad, é uma rotação tática para setores mais defensivos e de valor, como utilidades públicas, saúde e consumo básico, impulsionada pela busca de proteção diante de incertezas macroeconômicas, e reduzindo a exposição a uma potencial correção maior.

Resultados do 2T26 no radar

Com a temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos Estados Unidos próxima, o momento será de avaliar se os altos investimentos (capex) se justificam contribuindo no lucro e nas margens das companhias de tecnologia, afirma Lobo, da Nomad.

Para Lee, da Mirae Asset, uma temporada de resultados apenas boa, talvez, não seja suficiente para dar continuidade ao rali de tecnologia. Segundo ele, o mercado quer ver qualidade do crescimento: capex virando receita, receita preservando margem e margem virando caixa.

“Esse é o ponto central a temporada, o tamanho dos investimentos é enorme. A Microsoft indicou capex em torno de US$ 190 bilhões em 2026, enquanto a Meta fala em algo entre US$ 125 bilhões US$ 145 bilhões”, diz.

De acordo com o chefe da mesa de câmbio e internacional da Mirae, os indicadores-chave para a temporada de balanços das big techs são guidance, backlog, margem e fluxo de caixa livre.

Já para os semicondutores, a avaliação é parecida, mas com outra linguagem, segundo Lee. “A Nvidia precisa mostrar que data center continua forte e que as margens seguem altas. TSMC precisa mostrar demanda em chips avançados e embalagem avançada, que é a tecnologia que junta processador e memória para IA. AMD e Broadcom precisam mostrar que existe demanda além da Nvidia, em chips customizados, rede, inferência e memória”, explica.

Baixa de tecnologia é positiva para o Brasil?

Para Lobo, a volatilidade e a rotação de setores podem continuar no curto prazo, à medida que o mercado ajusta suas expectativas de lucros futuros e os impactos de custo de capital das margens das empresas do segmento.

“No entanto, assumir que esse cenário pode favorecer outras geografias, e especificamente o Brasil, exige uma análise mais cautelosa”, afirma o especialista de investimentos da Nomad.

De acordo com Lobo, em uma primeira leitura, a fuga de capitais de teses de tecnologia para setores de valor e economia real poderia soar como um vetor positivo para a bolsa brasileira, tradicionalmente ancorada em commodities e instituições financeiras. “Embora a narrativa pareça positiva, um dos fatores que poderia direcionar o capital para o Brasil (fluxos passivos de investimento) não é necessariamente favorável”, afirma.

Os índices globais de mercados emergentes que possuem uma forte concentração de tecnologia estão na Ásia, com destaque para Taiwan e a Coreia do Sul. O especialista da Nomad detalha que eles aumentaram a relevância recentemente por estarem atrelados à cadeia de suprimentos de IA e a semicondutores.

“Desta maneira, quando o trade de tecnologia sofre uma correção, esses mercados asiáticos recuam, provocando resgates em fundos passivos de emergentes. Como consequência, o Brasil pode sofrer uma pressão vendedora colateral, independentemente da atratividade de seus múltiplos” explica Lobo.

Além disso, o especialista da Nomad avalia que há limitadores domésticos no radar, como o ciclo eleitoral brasileiro e as incertezas quanto à trajetória fiscal.

Com isso, por mais que haja uma janela global favorável à alocação em teses de valor e que o Brasil apresente alguns vetores de atratividade, esses fatores podem restringir um fluxo de entrada mais direcional e robusto para o país neste momento, diz.

Já Lee, da Mirae Asset, avalia que uma eventual saída dos investidores de tecnologia para ativos ligados à economia real e mercados mais baratos, o Brasil pode ganhar fluxo relativo.

“Mas se o trade ativos pesados, baixa obsolêscencia (HALO) cair porque o investidor está reduzindo risco em tudo, aí o Brasil sofre junto: estrangeiro vende emergentes, dólar sobe, Depósito Interfinanceiro (DI) abre e o desconto de valuation aumenta”, afirma o chefe de câmbio e internacional da Mirae.

Créditos da imagem: Nikada/iStock) Siga no Youtube Nas últimas semanas, os índices ligados à tecnologia, como o S&P 500 e o Nasdaq , nos
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