Tecnologia inspirada em abelhas permite que drones naveguem sem GPS | Rio das Ostras Jornal

Tecnologia inspirada em abelhas permite que drones naveguem sem GPS

Tecnologia inspirada em abelhas permite que drones naveguem sem GPS

Cientistas da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, desenvolveram uma tecnologia inovadora que permite a drones percorrerem centenas de metros e retornarem sozinhos ao ponto de origem. O sistema, batizado de Bee-Nav, dispensa o uso de GPS, mapas digitais ou computadores de bordo complexos, utilizando como referência o comportamento natural das abelhas.

O projeto demonstra que é possível realizar navegação autônoma com um consumo de memória extremamente reduzido, variando entre 3,4 KB e 42 KB. Essa eficiência é comparável ao tamanho de um pequeno arquivo de imagem enviado em aplicativos de mensagens, tornando a tecnologia viável para aeronaves de pequeno porte.

Navegação autônoma baseada em referências visuais

O funcionamento do Bee-Nav replica a estratégia de reconhecimento das abelhas. Antes de iniciarem voos mais longos, os insetos realizam pequenos trajetos ao redor da colmeia para memorizar marcos visuais. O drone executa um processo semelhante: durante uma decolagem inicial, ele captura imagens panorâmicas do ambiente.

Essas informações alimentam uma rede neural compacta, que estima a direção e a distância até a base. Aliado a isso, o sistema utiliza a odometria, um processo que monitora o deslocamento percorrido. Mesmo em cenários onde ocorrem pequenas falhas nas estimativas, o sistema consegue aprender e corrigir sua trajetória com precisão.

Desempenho em testes e aplicações práticas

Nos experimentos realizados, os drones completaram trajetos superiores a 600 metros. Em ambientes internos de grande porte, como hangares, a tecnologia obteve 100% de sucesso. Já em testes externos, o desempenho foi impactado pelo vento, que alterava a percepção visual do aparelho, resultando em uma taxa de sucesso de 70%.

A versatilidade do sistema abre portas para diversas aplicações no mercado. O monitoramento agrícola em estufas, a inspeção de estruturas industriais e a logística em armazéns são áreas que podem ser beneficiadas. Por ser leve e exigir pouco processamento, o Bee-Nav possibilita a criação de enxames de drones mais seguros para operar em proximidade com seres humanos.

Além do avanço na robótica, o estudo oferece novas perspectivas para a biologia. Ao reproduzir artificialmente a navegação desses insetos, pesquisadores conseguem compreender melhor como organismos com cérebros minúsculos executam tarefas complexas. O Rio das Ostras Jornal acompanha as inovações tecnológicas que impactam o futuro da logística e da agricultura no Norte Fluminense e no mundo.

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