
O mercado de lajes corporativas em São Paulo vive um aquecimento significativo, impulsionado pela volta ao trabalho presencial. Nos últimos dois anos, grandes corporações têm demandado mais espaço, resultando na redução da vacância e elevação dos preços de aluguel na capital paulista. Este movimento reflete tendências econômicas que, embora concentradas em grandes centros, reverberam por todo o Brasil, impactando indiretamente regiões como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense.
A decisão de gigantes como Amazon e JPMorgan nos Estados Unidos, e Nubank no Brasil, de intensificar a frequência presencial, marcou um ponto de virada. Especialistas do setor, como Hilton Rejman da Brookfield Properties, conectam diretamente essa volta à crescente demanda por escritórios, prevendo um mercado aquecido nos próximos anos. Empresas que contrataram durante a pandemia agora precisam de mais área para acomodar seus colaboradores.
Demanda por escritórios impulsiona ocupação e preços
A Brookfield Properties, um dos maiores players do ramo com 27 prédios corporativos no Brasil, registra uma taxa de ocupação de 91% em seu portfólio, um aumento de 9 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em 2025, foram 83 mil m² em novos contratos de locação, e em 2026, já são 25 mil m² até março.
Um exemplo notável é o Parque da Cidade, que saltou de 40% de ocupação na aquisição em 2022 para impressionantes 93% atualmente. Hilton Rejman destaca casos de locatários que, após devolverem imóveis, voltaram a alugar o mesmo espaço meses depois, evidenciando a forte recuperação.
Mesmo o setor de tecnologia, conhecido pela flexibilidade, reverteu a tendência. Elvis Credendio, analista do Itaú BBA, aponta que a Uber, por exemplo, fechou um contrato de mais de 50 mil m² no primeiro trimestre de 2026. Esse movimento contribui para a compressão da vacância, aproximando-a da 'marca mágica' de 10% em algumas regiões de São Paulo, como a Zona Sul, incluindo Chucri Zaidan e Chácara Santo Antônio.
Aluguéis sobem acima da inflação e 'flight to quality' se consolida
A lei da oferta e demanda é clara: com mais procura e oferta limitada, os preços sobem. Hilton Rejman revela que as revisões contratuais da Brookfield, a cada três anos, têm gerado reajustes na casa dos 30%, além da correção inflacionária. Imóveis com mais de 5 mil m² de lajes corporativas disponíveis em São Paulo são raridade.
Fernanda Naveiro, CFO da São Carlos, confirma que os ajustes de aluguel estão acima da inflação anual de 4,7%. Um imóvel da empresa na Avenida Paulista, que em 2020 tinha 60% de vacância, hoje está 100% ocupado. O EZ Towers, na Chucri Zaidan, também registra 95% de ocupação, com preços em ascensão.
Dados da CBRE, maior empresa de serviços e investimentos imobiliários comerciais do mundo, corroboram o cenário. A absorção líquida no mercado de escritórios de São Paulo atingiu 292 mil m² em 2025. A vacância média caiu para 15,9% no primeiro trimestre de 2026, com os edifícios de alto padrão (Triple A) registrando uma taxa ainda menor, de 10,5%.
Felipe Giuliano, diretor da CBRE Brasil, explica que as empresas buscam não apenas mais espaço, mas localizações com boa infraestrutura, transporte e ambientes que promovam a colaboração e a experiência dos funcionários. Esse 'flight to quality' intensifica a disputa por imóveis Triple A, especialmente em regiões como Faria Lima, Paulista e Pinheiros, refletindo um mercado mais equilibrado e a recuperação gradual dos preços de locação.
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