Iniciativa une acolhimento, geração de renda e fortalecimento da autoestima por meio de parceria entre Fundação de Cultura, Ceam, Associação Jubarte e Assistência Social.
Um novo projeto voltado ao acolhimento e à autonomia financeira de
mulheres vítimas de violência foi lançado nesta semana em Rio das Ostras.
Batizada de “Projeto Marias”, a iniciativa reúne a Fundação Rio das Ostras de
Cultura, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), a Associação
Jubarte e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social.
O lançamento aconteceu na sede administrativa Maestro Maurício Libardi
Júnior da Fundação de Cultura e marcou o início de uma ação que busca oferecer
apoio emocional, fortalecimento da autoestima e oportunidades de geração de
renda para mulheres atendidas pela rede de proteção do município.
A proposta prevê a realização de oficinas de artesanato ministradas pela
Associação Jubarte, permitindo que as participantes desenvolvam produtos que
poderão ser comercializados posteriormente. A venda será realizada pela própria
associação, garantindo a preservação da identidade das artesãs, especialmente
nos casos em que as mulheres estejam sob medidas protetivas.
Os produtos serão comercializados em diferentes pontos da cidade,
incluindo o espaço da Jubarte no Shopping Plaza Rio das Ostras, o Hotel
Vilarejo e a loja da própria associação.
Bonecas carregam histórias de
superação
O principal símbolo do projeto são as chamadas “Marias”, bonecas
artesanais criadas para representar histórias de resistência, acolhimento e
esperança.
As primeiras personagens receberam os nomes de Maria Esperança, Maria
Sorriso, Maria Alegria e Maria Coragem. Os nomes são fictícios e foram escolhidos
para proteger a identidade das participantes, ao mesmo tempo em que representam
diferentes trajetórias de superação.
Segundo a presidente da Fundação Rio das Ostras de Cultura, Rosemarie
Teixeira, a proposta vai além da produção artesanal.
“O objetivo é sensibilizar as pessoas para a causa e criar produtos que
transmitam a mensagem de acolhimento às mulheres vítimas de violência.
Queríamos algo que tivesse significado e representasse as histórias dessas
mulheres”, destacou.
A iniciativa também conta com as chamadas “Marias Auxiliadoras”, formadas
por pessoas, instituições e parceiros que colaboram para o fortalecimento do
projeto.
Rede de apoio e autonomia
Além do acolhimento, o Projeto Marias busca criar oportunidades concretas
para que as participantes possam reconstruir suas vidas por meio da geração de
renda.
Para a presidente da Associação Jubarte, Marisa Dias, a iniciativa
representa uma importante rede de apoio para mulheres em situação de
vulnerabilidade.
“Queremos mostrar que elas podem seguir em frente com dignidade e ter uma
possibilidade real de geração de renda a partir do próprio trabalho”, afirmou.
A ideia surgiu em 2025 durante conversas realizadas no Ceam. De acordo
com a responsável pela unidade, Cristina Lúcia Santana de Souza, o projeto
ganhou força à medida que novas parcerias foram sendo construídas.
“Começou como uma proposta apresentada pela nossa psicóloga e foi
crescendo com a adesão de parceiros que acreditaram na importância dessa
iniciativa. Hoje ela se torna realidade e representa uma oportunidade de
transformação para muitas mulheres”, explicou.
Sustentabilidade e
reaproveitamento
Outro diferencial do projeto é a utilização de materiais oriundos do
Projeto DoAr-Te, desenvolvido pela Fundação de Cultura. A iniciativa arrecada
sobras de materiais reutilizáveis que serão transformados em matéria-prima para
as oficinas de artesanato.
Além de incentivar a economia criativa, a ação também promove práticas
sustentáveis por meio do reaproveitamento de materiais.
Fortalecimento das políticas
públicas
Durante a solenidade, o secretário municipal de Desenvolvimento e
Assistência Social, Carlos Correia, destacou a importância de políticas
públicas voltadas ao acolhimento e à proteção das mulheres.
Segundo ele, o Projeto Marias representa um importante instrumento de
inclusão social e fortalecimento da rede de apoio às vítimas de violência.
O evento contou ainda com a participação da presidente da Comissão de
Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher da 52ª Subseção da OAB Rio das
Ostras, Esmeralda Paes Maciel Lima, da coordenadora da Patrulha Maria da Penha,
Tamiris Miranda, além de servidoras municipais e artesãs da Associação Jubarte.
Com a iniciativa, Rio das Ostras amplia as ações de proteção e
acolhimento às mulheres, aliando assistência social, cultura e geração de renda
em uma proposta voltada à reconstrução de histórias e ao fortalecimento da
autonomia feminina.

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