Pernambuco em alerta: lua cheia e marés altas elevam risco de ataques de tubarão | Rio das Ostras Jornal

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Pernambuco em alerta: lua cheia e marés altas elevam risco de ataques de tubarão

Imagem gerada com IA
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Pernambuco, estado com o maior número de incidentes com tubarões no Brasil, vive um novo período de atenção após dois ataques graves em menos de 24 horas. Os casos reacenderam o debate sobre os múltiplos fatores que contribuem para a presença desses predadores próximos à costa, com destaque para a influência das fases da lua e das marés.

tubarão: cenário e impactos

Os incidentes recentes, que marcaram o 83º e 84º registros da série histórica do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), ocorreram durante um período de Lua Azul. As vítimas, João Lucas Nemézio Sales, de 11 anos, na Praia de Piedade, e Marcela Vitória de Lima Santos, de 19, na Praia de Boa Viagem, sofreram ferimentos severos e tiveram membros amputados, evidenciando a gravidade da situação.

Fases da lua e o movimento das marés

Embora a fase lunar não seja o único fator, pesquisadores e o próprio Cemit alertam que as fases de lua nova e lua cheia merecem atenção redobrada. Nesses períodos, ocorrem as chamadas marés de sizígia, fenômeno em que a diferença entre os níveis da maré alta e baixa é maior do que o normal. Isso permite que os tubarões se aproximem mais da costa e que áreas protegidas por arrecifes se tornem mais acessíveis.

O Cemit ressalta que a maré alta é um dos principais elementos que podem aumentar o risco de encontros entre tubarões e banhistas. Nessas condições, os animais conseguem navegar por águas mais rasas, chegando a pontos que normalmente seriam seguros para os frequentadores das praias. A literatura científica, contudo, aponta para uma complexa combinação de fatores ambientais, geográficos e humanos que se acumularam ao longo de décadas.

Impacto ambiental e urbanização

Entre as hipóteses mais discutidas está o impacto da fundação e expansão do Porto de Suape, inaugurado em 1983. Estudos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Cemit indicam que a abertura de canais de navegação, obras de dragagem e a supressão de manguezais alteraram significativamente os habitats costeiros. Essas mudanças podem ter modificado as rotas migratórias de diversas espécies marinhas, incluindo os tubarões.

A pesquisa “Shark Attacks in Recife, Brazil: Analysis of Incidents and Possible Causes”, de 2008, do pesquisador Fábio Hazin, é um dos trabalhos que relacionam essas alterações ambientais ao aumento dos encontros entre tubarões e humanos na região metropolitana do Recife. Além disso, a expansão urbana no litoral sul, com a ocupação intensiva da costa, também elevou a probabilidade desses encontros, ao aumentar o número de pessoas em áreas de risco.

Configuração geográfica e comportamento

A própria geografia do litoral pernambucano contribui para o cenário. Entre as praias de Boa Viagem e Piedade, existem canais naturais profundos próximos à faixa de areia. Essas formações funcionam como corredores para espécies marinhas, facilitando a aproximação de tubarões como o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata, responsáveis pela maioria dos ataques graves.

Relatórios técnicos e pesquisas da UFRPE mostram que, em alguns trechos, a profundidade aumenta rapidamente após a arrebentação, criando condições ideais para a circulação desses animais. A presença de arrecifes também é um fator: muitos ataques ocorrem fora dessas barreiras naturais, em águas mais profundas. A proximidade de desembocaduras de rios, como o Capibaribe, Jaboatão e Pirapama, atrai tubarões em busca de alimento, concentrando-os perto da costa.

O comportamento dos banhistas é crucial na prevenção. Praias como Boa Viagem, Pina e Piedade possuem cerca de 80 placas de alerta, orientando sobre os riscos. Ignorar essas recomendações, ultrapassar a linha dos arrecifes ou permanecer na água durante a maré alta são atitudes que aumentam consideravelmente o perigo. As chuvas também representam um risco, pois a água turva reduz a visibilidade e o aumento de matéria orgânica no mar pode atrair os tubarões. Para mais informações sobre segurança em praias, consulte o site oficial do Governo de Pernambuco.

O Rio das Ostras Jornal acompanha as discussões sobre segurança em áreas costeiras.

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