
A capital Kiev, na Ucrânia, foi alvo de uma série de ataques russos com mísseis e drones nesta segunda-feira (15.jun.2026), resultando na morte de pelo menos nove pessoas e em um incêndio devastador na Catedral da Dormição. O templo, construído no século 11, faz parte do complexo monástico de Kyiv-Pechersk Lavra, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
As ofensivas russas provocaram chamas intensas no telhado da catedral, com imagens divulgadas pelos serviços de emergência mostrando o fogo próximo às torres e cúpulas douradas. Equipes de bombeiros atuaram rapidamente para controlar o incêndio, que deixou seis pessoas feridas no local, conforme apurado pelo jornalista Peter Beaumont, do The Guardian.
Ataque e repercussão em Kiev
A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, condenou veementemente o episódio, classificando-o como um "ataque brutal" contra o povo e o patrimônio cultural do país. A ministra da Cultura, Tetyana Berezhna, confirmou os danos significativos à catedral, conforme reportado pelo Poder360. O presidente Volodymyr Zelensky, do partido Servo do Povo, informou que a Rússia utilizou 70 mísseis e 611 drones contra a Ucrânia, descrevendo o bombardeio ao complexo Kyiv-Pechersk Lavra como "um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até agora".
Além dos danos à catedral, os ataques causaram interrupções no fornecimento de energia para cerca de 140 mil imóveis na região norte de Kiev, segundo o prefeito Vitali Klitschko. Alertas de ataque aéreo foram acionados em grande parte do território ucraniano, evidenciando a amplitude da ofensiva.
Patrimônio histórico em perigo
O complexo religioso de Kyiv-Pechersk Lavra, fundado no século 11, é um marco da arte ucraniana, reunindo igrejas na superfície e no subsolo, além de abrigar relíquias de santos em suas cavernas. A Unesco o descreve como uma obra-prima de valor inestimável. Em 2023, o local foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo devido aos riscos de destruição decorrentes da ofensiva russa. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, anunciou que o governo iniciará procedimentos junto à Unesco e outros organismos internacionais para solicitar uma resposta formal aos danos.
Apelo internacional e desdobramentos
O presidente Zelensky fez um apelo urgente aos países do G7, reunidos na França, para uma "resposta decisiva e concreta". Ele solicitou maior pressão sobre a Rússia e um aumento no apoio à defesa aérea da Ucrânia, especialmente em relação às capacidades contra mísseis balísticos. Os ataques ocorreram pouco antes da reunião do G7, onde a guerra na Ucrânia seria um dos principais temas de discussão. No dia anterior, Zelensky havia conversado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as negociações para encerrar o conflito.
Em outras regiões da Ucrânia, a violência também se manifestou. Em Kharkiv, no nordeste do país, cinco integrantes das equipes de resgate morreram e outros cinco ficaram feridos enquanto tentavam apagar um incêndio causado por um ataque russo. A Polônia, em resposta à escalada, mobilizou caças e colocou sistemas terrestres de defesa aérea e radares em estado de prontidão como medida preventiva.
Autoridades russas, por sua vez, reportaram que drones ucranianos mataram três pessoas e feriram outras três, incluindo uma criança de um ano, na cidade de Tula, ao sul de Moscou.
O Rio das Ostras Jornal segue acompanhando os desdobramentos deste conflito que afeta a segurança e o patrimônio cultural da Europa.
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