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A onça-parda macho, resgatada de um cativeiro no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, está entre os quase mil animais acolhidos no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), em Seropédica, na Baixada Fluminense. A unidade do Ibama, crucial para a reabilitação de fauna silvestre, encontra-se temporariamente fechada desde 18 de maio devido a um surto de tuberculose que já causou a morte de macacos-prego.
O fechamento impede a entrada e saída de novos resgates e apreensões, impactando a gestão de animais silvestres em todo o estado do Rio de Janeiro e na Região dos Lagos. A onça, apreendida em setembro de 2023 quando filhote, seria vendida ilegalmente por R$ 20 mil, conforme investigações da Polícia Federal na época.
Resgate do felino e o impacto no Cetas
A onça-parda macho, atualmente com três anos, foi resgatada pela Polícia Federal de um cativeiro improvisado no Morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. O animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), em Seropédica, na Baixada Fluminense.
A apreensão, resultado de um trabalho de inteligência da Polícia Federal em conjunto com a Força Especial de Controle de Divisas (Operação Foco) e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), contou com a colaboração dos próprios moradores da comunidade. Na ocasião, ninguém foi preso, mas os envolvidos responderiam por crimes de tráfico de animais e maus-tratos.
O Cetas-RJ, única unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) no Rio de Janeiro capacitada para reabilitar e devolver à natureza aves, mamíferos e répteis, abriga 989 animais. No entanto, desde 18 de maio, o centro está temporariamente fechado e impedido de receber novos resgates e apreensões, impactando diretamente a Região dos Lagos e o Norte Fluminense.
O motivo do fechamento é a descoberta de um surto de tuberculose que atingiu parte da população de macacos-prego, resultando na morte de pelo menos três primatas. Além da onça-parda macho, outra onça-parda fêmea, também com três anos, está acolhida no Cetas-RJ. Cada um desses felinos consome seis quilos de carne por dia.
Desafios na gestão e acordo judicial
A situação do Cetas-RJ reflete um cenário complexo na gestão de animais silvestres no estado. Em 25 de julho de 2024, um acordo judicial foi assinado entre o Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) e o Ibama. O compromisso estabelecia que o estado deveria fornecer ração, alimentos e medicamentos, além de contratar exames laboratoriais, com despesas anuais que superam R$ 3 milhões.
O acordo previa também a alocação temporária de um veterinário, um biólogo e um auxiliar administrativo no Cetas-RJ, além da busca por destinação para 20 macacos-prego e as duas onças-pardas. Contudo, o Ibama alega que quase nada foi cumprido até o momento.
Diante do alegado descumprimento, o Ibama fechou o Cetas-RJ para o recebimento de animais apreendidos pelas autoridades estaduais em 29 de abril de 2026. Vinte dias depois, o surto de tuberculose foi confirmado, levando ao fechamento total da unidade para qualquer tipo de recebimento de animais.
Ibama adota protocolo de emergência contra a doença
Rogério Rocco, superintendente do Ibama no Rio, explicou que análises realizadas com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) confirmaram a tuberculose como a causa da morte dos três macacos-prego. A suspeita é que um dos primatas tenha entrado no local já contaminado entre 2024 e 2025.
Os animais mortos foram resgatados em diferentes localidades, como Petrópolis (encaminhado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio), Mangaratiba (apreendido pela Polícia Federal) e Piraí (recolhido pela Polícia Rodoviária Federal). Dada a natureza contagiosa da doença, animais e funcionários estão sendo testados para tuberculose.
"Nós fechamos o Cetas-RJ de forma absoluta, suspendendo a entrada e a saída de animais, em razão de uma crise sanitária", afirmou Rocco. Ele detalhou que 50 testes foram realizados em servidores e colaboradores com apoio da Prefeitura de Seropédica e da Secretaria de Saúde. Embora um primeiro teste tenha apontado contato com a bactéria, exames posteriores confirmaram que nenhum ser humano desenvolveu a doença.
Um protocolo vermelho de atendimento de emergência foi acionado, dividindo a unidade em zonas com restrições de circulação. Servidores e tratadores passaram a usar equipamentos de proteção individual, como máscaras N95. Testes por amostragem serão realizados nos próximos dias em alguns dos macacos remanescentes, distribuídos em oito recintos.
O Inea, por sua vez, informou que não foi notificado pelo Ibama sobre o fechamento e que tem atuado no cumprimento das obrigações do acordo, disponibilizando profissionais desde setembro de 2024. Para os casos de resgate, o órgão alega que os animais estão sendo realocados emergencialmente conforme a situação.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e a situação dos animais silvestres na Costa do Sol e em todo o interior do RJ.
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