
O Brasil deu um passo importante no tratamento da doença de Alzheimer com o início da comercialização do lecanemabe, conhecido pelo nome comercial Leqembi. O medicamento, indicado para os estágios iniciais da doença, passou a ser vendido nesta quinta-feira (25), representando uma nova esperança para pacientes e suas famílias na Região dos Lagos e em todo o país.
Desenvolvido pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, o Leqembi não é um tratamento de uso doméstico e não estará disponível em farmácias comuns. Sua aplicação é restrita a hospitais ou centros especializados, após avaliação e prescrição médica, garantindo o acompanhamento adequado dos pacientes.
Aprovação e o funcionamento do Leqembi
A aprovação do medicamento pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ocorreu em dezembro, e a sua disponibilização no mercado só foi possível após a definição dos preços pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) em abril. Este processo regulatório é crucial para a chegada de novas terapias ao sistema de saúde brasileiro.
O lecanemabe atua como um anticorpo monoclonal, focado na proteína beta-amiloide, que se acumula no cérebro de indivíduos com Alzheimer anos antes do surgimento dos primeiros sintomas. A ação do remédio é dupla: ele dissolve as placas já formadas e busca retardar a formação de novos depósitos que contribuem para a morte dos neurônios, freando o avanço da doença.
Estudos de fase 3 demonstraram que pacientes em estágio inicial tratados por 18 meses com Leqembi tiveram uma redução média de 27% na velocidade de progressão da doença, em comparação com aqueles que receberam placebo. É importante ressaltar que o medicamento diminui o ritmo de progressão, mas não reverte ou alivia os sintomas já existentes.
Custo e os desafios de acesso no Brasil
A aplicação do Leqembi é feita por infusão intravenosa a cada 15 dias, com uma dose de 10 mg por quilo de peso do paciente. O custo do tratamento é um fator significativo: para um paciente de 70 kg, um mês de tratamento pode custar cerca de R$ 8.108,94 sem impostos. Com a alíquota de 18% de ICMS, o valor pode subir para aproximadamente R$ 11.075,62.
Atualmente, o acesso ao Leqembi é limitado. O medicamento ainda não foi incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde) e também não consta no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o que significa que os planos de saúde não têm cobertura obrigatória. As farmacêuticas Biogen e Eisai já manifestaram a intenção de solicitar a incorporação ao SUS por meio da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), mas a previsão para essa submissão ainda não foi divulgada.
Para os moradores de Rio das Ostras, Macaé e outras cidades do Norte Fluminense e Região dos Lagos, a chegada do Leqembi representa uma nova opção, mas também um desafio em termos de acesso e custo. A doença de Alzheimer, que afeta milhões globalmente e responde por cerca de 70% dos casos de demência, ainda não tem cura, tornando cada avanço científico crucial.
O Leqembi já está registrado em mais de 53 países, incluindo Japão, Estados Unidos, China e Coreia do Sul, consolidando sua presença global antes de chegar ao Brasil. O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando os desdobramentos sobre a incorporação do medicamento no sistema público e privado de saúde.
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