
Um estudo recente da Video Game History Foundation, em parceria com a Software Preservation Network, acende um alerta sobre o futuro dos jogos clássicos. A pesquisa revela que impressionantes 87% dos títulos lançados nos EUA correm sério risco de desaparecer, não estando mais disponíveis legalmente no mercado.
A situação, que já afeta a memória cultural de diversas mídias, como o cinema, é agravada no universo dos videogames pela prática do 'abandonware' e por restrições legais. A dificuldade em acessar e preservar esses títulos impacta diretamente a história dos games, impedindo que novas gerações, inclusive em Rio das Ostras, Macaé e toda a Região dos Lagos, conheçam clássicos que marcaram época.
O desafio da preservação digital de jogos clássicos
A perda de mídias ao longo do tempo é um problema recorrente, e a indústria dos games não é exceção. Desenvolvedoras fecham, são vendidas ou simplesmente abandonam seus títulos mais antigos, criando o fenômeno conhecido como abandonware. Este termo se refere a softwares que não possuem mais suporte de seus proprietários, mesmo que os direitos autorais ainda existam, tornando-os indisponíveis comercialmente, exceto no mercado de segunda mão.
A pesquisa da Video Game History Foundation é alarmante: apenas 13% dos jogos clássicos estão atualmente disponíveis no mercado, mesmo em plataformas modernas. O problema é intensificado pela ausência de uma forma legal clara para preservar esses jogos. A lei do Digital Millennium Copyright Act (DMCA) pode punir severamente quem viola os direitos autorais, com multas e até prisão.
Enquanto bibliotecas e arquivos digitais podem preservar jogos, eles enfrentam restrições para compartilhá-los, permitindo acesso apenas em locais físicos. Essa limitação contrasta fortemente com outras mídias, como livros, filmes e áudio, que não possuem as mesmas barreiras. Grande parte dessa dificuldade, segundo a fundação, é atribuída à Entertainment Software Association (ESA), um grupo de lobby que consistentemente se opõe à expansão da preservação de videogames em bibliotecas digitais. Um exemplo claro foi o fechamento das lojas virtuais do 3DS e Wii-U, onde a ESA se opôs ao acesso remoto de instituições de preservação, forçando-as a visitar fisicamente os servidores, o que encarece e dificulta o trabalho.
Iniciativas e a luta para manter os games vivos
Apesar das dificuldades e do lobby contrário, diversas medidas estão sendo tomadas para preservar jogos antigos, clássicos ou não. Até mesmo grandes empresas de distribuição digital têm contribuído para essa causa vital para a cultura do Norte Fluminense e do mundo.
GOG.com e a preservação de jogos
A plataforma de distribuição digital GOG.com (anteriormente Good Old Games) lançou um Programa de Preservação para resolver o problema de compatibilidade de jogos antigos com hardwares atuais. Muitos títulos, mesmo à venda, não rodam sem intervenções externas. O programa da GOG.com garante suporte e otimização contínuos, permitindo que clássicos como Final Fantasy XI, Vampire the Masquerade Bloodlines, e jogos das séries Ultima, Wing Commander e Alone in the Dark permaneçam jogáveis. Atualmente, o programa conta com mais de 300 jogos sem travas tecnológicas e com suporte dedicado.
Sites de preservação de abandonware
Sites como o My Abandonware mantêm uma vasta biblioteca de jogos antigos, desde 1965. Com mais de 37.500 títulos, esses sites oferecem acesso a games completamente abandonados por suas empresas. Por estarem fora do suporte comercial, muitos desses jogos podem ser baixados livremente, permitindo que o público reviva ou experimente títulos que de outra forma estariam perdidos. A falta de rastreamento de violações de direitos autorais por parte de algumas empresas facilita o trabalho desses preservadores.
Emulação como ferramenta de resgate
A emulação, apesar das polêmicas recentes, como as ações da Nintendo contra emuladores de Switch, tem sido uma ferramenta crucial para a preservação. Jogos lançados em serviços primitivos como Sega Channel e Satellaview (do Mega Drive e SNES, respectivamente), incluindo exclusivos como Pulseman, Mega Man: The Wily Wars e Alien Soldier, teriam desaparecido sem ela. A emulação também resgatou o Zeebo, um console 100% brasileiro, permitindo que jogos como uma das melhores versões de Double Dragon sejam jogados graças ao emulador Infuse.
Jogos revividos pela comunidade
O fechamento de servidores online frequentemente significa o fim de muitos jogos. No entanto, a própria comunidade gamer tem se organizado para reviver títulos adorados. Projetos de código aberto, engenharia reversa e servidores privados permitiram que jogos como Star Wars Galaxies, Need for Speed World, Warhammer Online: Age of Reckoning e City of Heroes voltassem à vida. Mantidos por fãs, esses projetos garantem que esses games continuem acessíveis, muitas vezes com opções de servidores e conteúdos adicionais.
A preservação de obras culturais é um trabalho árduo, especialmente no universo dos games. Apesar dos desafios legais e do lobby da indústria, os esforços de plataformas, sites especializados, emuladores e a paixão da comunidade gamer são essenciais para garantir que a história e a diversão desses títulos não se percam no tempo, beneficiando jogadores da Costa do Sol a todo o Interior do RJ.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!