
Duas deputadas federais do Psol, Erika Hilton (SP) e Sâmia Bomfim (SP), anunciaram neste domingo (10) que acionarão diversos órgãos de controle para investigar a ação da Polícia Militar que desocupou a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) na madrugada do mesmo dia. A operação, que ocorreu na capital paulista, gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a conduta policial e a gestão do governo estadual.
A ocupação do prédio da reitoria por estudantes havia se iniciado na quinta-feira (7) e, segundo as parlamentares, o uso da força policial foi desproporcional e sem a devida tentativa de negociação. As deputadas buscam esclarecer as circunstâncias da desocupação e a responsabilidade dos envolvidos.
Deputadas do Psol pedem investigação rigorosa
A deputada Erika Hilton utilizou suas redes sociais para informar que acionará a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo contra o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Polícia Militar e a própria reitoria da USP. Hilton classificou o protesto estudantil como "legítimo" e criticou a recusa do poder público em negociar antes de recorrer à força.
"É um absurdo que o poder público se recuse a negociar, parta para a violência e que quatro estudantes tenham sido detidos por exercerem seu direito constitucional ao protesto", escreveu a parlamentar. Ela também levantou suspeitas sobre a versão da reitoria de que não teria sido previamente avisada da operação, citando "evidências" de articulação entre a universidade e a PM desde a sexta-feira (9), incluindo o corte de serviços essenciais como água e energia para os estudantes.
Já a deputada Sâmia Bomfim anunciou que levará o caso à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público para que apurem o que ela descreveu como uma "conduta ilegal e truculenta" da operação. "Estou acionando a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público para apurar a conduta ilegal e truculenta na última madrugada, quando a tropa de choque agiu com violência ao entrar na USP e agredir estudantes", declarou Bomfim, reforçando a necessidade de transparência e responsabilização.
Estudantes e Reitoria apresentam versões divergentes
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP detalhou que a operação policial teve início por volta das 4h15 da manhã, com o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A entidade estudantil denunciou que vários estudantes ficaram feridos e que a ação da PM ocorreu sem uma decisão judicial de reintegração de posse, o que agravaria a ilegalidade da intervenção.
Em contrapartida, a reitoria da USP emitiu uma nota informando que havia comunicado a ocupação à Secretaria de Segurança Pública em 7 de maio. Contudo, a universidade afirmou que não foi comunicada previamente pela Polícia Militar sobre a desocupação realizada neste domingo. A reitoria também mencionou que manteve diálogo com os estudantes ao longo dos dias, mas que as negociações teriam chegado a um "limite" devido a reivindicações que estariam fora do alcance administrativo da instituição.
Secretaria de Segurança Pública promete apuração
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado de São Paulo, por sua vez, limitou-se a declarar que "eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas". A ação da PM envolveu cerca de 50 policiais, e quatro pessoas foram conduzidas ao 7º Distrito Policial, onde prestaram depoimento e foram posteriormente liberadas.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e trará atualizações sobre os desdobramentos das investigações e as repercussões políticas da ação na USP, um evento de relevância nacional que ecoa em todo o Brasil.
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