
Maricá, cidade da Região dos Lagos, foi palco de um importante evento nesta quarta-feira, dia 13 de maio, dedicado à reflexão sobre ancestralidade, fé e direitos humanos. A iniciativa, batizada de “Maricá + Liberdade: O Sagrado em Nós. Dignidade, Fé e o Direito de Ser”, reuniu moradores na Praça Orlando de Barros Pimentel, no Centro, para uma programação rica em cultura afro-brasileira e debates cruciais sobre o combate ao racismo e a valorização da identidade.
Promovido pela Prefeitura de Maricá, através das Secretarias de Direitos Humanos e de Assuntos Religiosos, com o apoio da Companhia de Cultura e Turismo de Maricá (Maré) e da Secretaria de Juventude e Participação Popular, o evento ressaltou a importância de se discutir o legado histórico do 13 de maio e o caminho a ser trilhado em busca de uma sociedade mais justa e igualitária, ecoando a voz de toda a Costa do Sol e do Norte Fluminense.
Reflexão e resistência no dia 13 de maio
O 13 de maio, data que marca a abolição da escravatura no Brasil, é tradicionalmente um dia de profunda reflexão para a comunidade negra e para todos que lutam por direitos humanos. Longe de ser uma celebração da liberdade plena, a data serve como um lembrete das lutas contínuas contra o racismo estrutural e a intolerância religiosa que persistem em nosso país. Em Maricá, o evento buscou ressignificar essa data, transformando-a em um espaço de diálogo e fortalecimento cultural.
A coordenadora geral de Igualdade Racial da Secretaria de Direitos Humanos, Valéria, destacou a relevância do momento: “O 13 de maio é um dia de reflexão sobre tudo o que passamos, a nossa ancestralidade e o que podemos fazer daqui para frente para melhorar a cidade e o país”. Sua fala ressoa a necessidade de olhar para o passado para construir um futuro mais equitativo, uma mensagem vital para cidades como Rio das Ostras e Macaé.
Cultura afro-brasileira em destaque
A programação foi um verdadeiro mosaico da cultura afro-brasileira, com atividades que celebraram a riqueza e a diversidade das tradições. Rodas de conversa e debates proporcionaram um espaço para a troca de ideias e o aprofundamento das discussões sobre temas como ancestralidade e liberdade. A energia contagiante da roda de capoeira e a 4ª Berimbalada demonstraram a força e a beleza dessa arte marcial-dança, que é um símbolo de resistência e identidade.
Além disso, o público presente pôde prestigiar apresentações de dança afro e jongo, ritmos que carregam histórias e memórias de gerações. O lançamento das cartilhas da igualdade racial representou um passo importante na educação e conscientização sobre a importância do respeito às diferenças. O encerramento, com uma animada roda de samba comandada por Baby do Cavaco, celebrou a alegria e a união, elementos essenciais da cultura brasileira.
Fé, dignidade e o direito de ser
O evento também deu voz a importantes líderes religiosos, que enfatizaram a conexão entre fé, dignidade e o direito de cada indivíduo ser quem é, livre de preconceitos. Pai Marcelo Viana, coordenador da pasta de Matriz Africana da Secretaria de Assuntos Religiosos de Maricá, ressaltou a importância do reconhecimento: “Esse evento do dia 13 de maio, falando sobre liberdade, é de suma importância para a nossa caminhada. Agradeço pela oportunidade de estar nesses espaços para podermos ser reconhecidos não só pela nossa religião, mas também pela nossa cultura viva”.
Ele destacou ainda o simbolismo dos Pretos Velhos, figuras de sabedoria e acolhimento nas religiões de matriz africana, que “representam acolhimento, fraternidade, igualdade e caridade, e isso é muito importante para nós do povo africano”. A presença desses líderes em um espaço público, como a Praça Orlando de Barros Pimentel, é um ato de resistência e um avanço na luta contra a intolerância religiosa, como pontuou Pai Filipi Brasil, dirigente do Templo Espiritualista Aruanda.
Para Pai Filipi, pensar em ‘Maricá, liberdade e o sagrado em nós’ é ressignificar a própria história. “Estar em uma praça pública falando de matriz africana e de Preto Velho é resistência. Essa resistência nos traz libertação não só de culto, mas também a oportunidade de modificar o pensamento das pessoas e combater qualquer forma de preconceito. Não há mais espaço para intolerância religiosa e racismo religioso”, concluiu, reforçando o compromisso de Maricá com a diversidade e o respeito. A iniciativa serve de inspiração para todo o Interior do RJ. Acompanhe mais detalhes sobre as ações da Prefeitura de Maricá.
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