
Na costa ocidental da África, a Ilha de Gorée, localizada a poucos quilômetros de Dacar, capital do Senegal, emerge como um vibrante centro turístico. Este local histórico, reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 1978, atrai anualmente dezenas de milhares de visitantes, oferecendo uma fonte vital de renda para seus cerca de 1,7 mil moradores.
A ilha, apesar de sua pequena extensão de apenas 17 hectares, carrega uma profunda e dolorosa história. Entre os séculos XV e XIX, Gorée serviu como um dos principais entrepostos para o tráfico transatlântico de escravizados, de onde milhares de africanos foram compulsoriamente embarcados para as Américas, incluindo o Brasil. A história de Gorée, um dos maiores símbolos da escravidão, ressoa profundamente no Brasil, país que recebeu um grande número de africanos escravizados. Essa conexão histórica é um lembrete da importância de preservar a memória e combater o racismo, temas relevantes para comunidades em todo o país, inclusive na Região dos Lagos, onde a diversidade cultural é um pilar fundamental.
A Memória Viva da Escravidão em Gorée
A localização estratégica de Gorée, de frente para o Oceano Atlântico, a tornou um ponto crucial para colonizadores europeus – portugueses, holandeses, ingleses e franceses – que a utilizaram como entreposto para o tráfico de pessoas. Os africanos que resistiam à travessia transoceânica eram destinados a uma vida de escravidão em locais como Brasil, Estados Unidos, Cuba, Haiti e no Caribe.
O coração dessa memória na ilha é a Casa dos Escravos, uma construção de dois andares onde os africanos eram mantidos aprisionados antes de serem forçados a passar pela emblemática “Porta do Não Retorno”. Hoje, este local funciona como um museu e memorial, sendo o centro mais visitado e emocionante da ilha, exercendo a função vital de manter viva a memória da escravidão. Recentemente, em março, as Nações Unidas declararam a escravização de africanos como o mais grave crime já cometido contra a humanidade, reforçando a importância de locais como Gorée.
Turismo como Pilar Econômico e Cultural
Para os menos de 2 mil moradores de Gorée, o fluxo constante de turistas é a principal oportunidade de ocupação e renda. Fama Sylla, uma vendedora local, exemplifica essa realidade. “O turismo é muito importante aqui porque vivemos disso, vivemos do turismo”, afirma ela, cujo ponto de venda de bijuterias e itens típicos é uma tradição familiar, herdada da avó e da mãe.
Próximo ao cais de desembarque, Chaua Sall vende esculturas de madeira que retratam animais africanos, como girafas e hipopótamos. “Quero vender coisas bonitas para as pessoas”, diz ele, que, assim como seu filho e irmão, depende do turismo para o sustento. Chaua destaca a diversidade dos visitantes: “Aqui você recebe turistas de vários lugares: França, Espanha, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Itália – pessoas do mundo todo vêm para a Ilha de Gorée.”
A hospitalidade é uma estratégia crucial. Aminata Fall, outra vendedora, aprendeu saudações e expressões em diversos idiomas, como “Bom dia” em português, para atrair e engajar os turistas estrangeiros. Essa dedicação em acolher os visitantes não só impulsiona a economia local, mas também fortalece a conexão cultural entre Gorée e o mundo, transformando um passado doloroso em um presente de resiliência e esperança.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o impacto do turismo em comunidades que preservam sua história.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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