
A Polícia Federal (PF) revelou nesta sexta-feira indícios alarmantes de que escrivães da própria corporação teriam utilizado linhas telefônicas registradas em nome de pessoas falecidas para se comunicar com investigados no caso Refit, a refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A descoberta faz parte da 'Operação Sem Refino', que abala a estrutura de combate à corrupção no estado e gera repercussão em todo o Norte Fluminense e Região dos Lagos.
A investigação aponta que a tática visava dificultar o rastreamento das conversas entre os agentes e os alvos do inquérito. A identificação de um dos suspeitos foi possível após o cruzamento de dados técnicos, que ligou um endereço de IP da rede interna da PF ao login funcional de um dos agentes envolvidos no esquema.
Vazamento de informações e apreensão de dinheiro na Operação Fraude Refit
A complexidade da investigação não se limitou aos escrivães federais. Também foi revelada a participação de um policial civil do Rio de Janeiro, suspeito de vazar informações cruciais que poderiam comprometer a coleta de provas sobre o esquema de fraudes da Refit. Na residência deste agente, a Polícia Federal apreendeu R$ 500 mil em espécie, um montante que sublinha a gravidade das acusações e a dimensão da corrupção.
O inquérito sugere que o policial civil mantinha contato direto com um lobista, atuando como elo entre a organização criminosa e esferas do poder público. Este elo facilitaria a blindagem do esquema, permitindo que as fraudes fiscais da refinaria continuassem por um longo período.
Mandados cumpridos e bloqueio de bens em todo o estado
Deflagrada nesta sexta-feira, a 'Operação Sem Refino' cumpriu um total de 17 mandados de busca e apreensão em diversos pontos do estado, incluindo o apartamento do ex-governador Cláudio Castro (PL). Entre os alvos de destaque estava também o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, cujo nome foi incluído na lista de procurados da Interpol, indicando a dimensão internacional do caso.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sete servidores públicos foram afastados de suas funções, incluindo dois dos escrivães federais sob investigação. A Justiça também impôs o bloqueio de impressionantes R$ 52 bilhões em ativos financeiros dos envolvidos, uma medida que visa descapitalizar a organização criminosa e recuperar valores desviados dos cofres públicos.
Defesa do ex-governador e desdobramentos da investigação
No apartamento do ex-governador Cláudio Castro, agentes da PF apreenderam um aparelho celular e um tablet, itens que serão periciados em busca de provas. A defesa de Castro, por sua vez, negou veementemente qualquer envolvimento com o esquema da Refit, afirmando que o ex-governador sempre agiu dentro da legalidade durante sua gestão no Executivo fluminense. A ação da PF na casa do ex-governador foi um dos pontos altos da operação.
O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando de perto os desdobramentos desta complexa investigação que impacta a política e a economia do Interior do RJ e da Costa do Sol, trazendo as últimas informações sobre o caso Refit e suas implicações para a região.
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