02/05/2026

Actígrafo brasileiro monitora sono de astronautas da Nasa em missão Artemis

Imagem gerada com IA
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Um dispositivo inovador desenvolvido em São Paulo, Brasil, está a bordo da missão Artemis 2 da Nasa, que partiu rumo à Lua em 1º de abril. A tecnologia, um actígrafo em formato de relógio de pulso, tem como objetivo monitorar o bem-estar e os padrões de sono dos astronautas durante o voo histórico.

A confirmação do uso veio poucas horas antes do lançamento, pegando a equipe brasileira de surpresa. O equipamento, criado pelo engenheiro mecatrônico Rodrigo Trevisan Okamoto e sua startup Condor Instruments, já vinha sendo testado pela agência espacial nos últimos dois anos.

O Actígrafo Espacial

O actígrafo, um aparelho compacto no formato de relógio de pulso, integra acelerômetros e sensores de luz e temperatura. Ele mapeia com alta precisão os padrões de sono e vigília do usuário ao longo de dias ou semanas. Seu funcionamento baseia-se na detecção da frequência e intensidade dos movimentos do braço, permitindo inferir os períodos de repouso e de prontidão, registrando com exatidão o comportamento circadiano do indivíduo.

Esse 'relógio biológico' de aproximadamente 24 horas, que regula as funções físicas e comportamentais, é primordialmente influenciado pela luminosidade. No espaço, essa referência se perde, pois os astronautas podem permanecer em claridade ou escuridão constantes, dependendo da posição em relação ao Sol. Mario Pedrazzoli Neto, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e especialista em cronobiologia, coordenou estudos que embasaram o desenvolvimento do dispositivo brasileiro.

Na Estação Espacial Internacional (ISS), por exemplo, os astronautas testemunham 16 alvoreceres e entardeceres por dia. Esses fenômenos podem desregular severamente o ciclo sono-vigília. Para mitigar esse estresse, sistemas de diodos emissores de luz (LEDs) foram instalados na estação, simulando o ciclo terrestre e auxiliando na higiene do sono da tripulação. A privação de sono gera déficits cognitivos e motores que podem comprometer missões de longa duração.

Inovação e Missão

O actígrafo da Condor Instruments destaca-se frente aos competidores internacionais por integrar o monitoramento da atividade motora, a exposição à luz e a temperatura corporal. Este último dado é crucial, pois a temperatura do corpo humano cai durante o sono, um processo fisiológico do ciclo circadiano. Outro diferencial é a medição da luz melanópica – espectro da luz azul-ciano que impacta o sistema não visual humano, inibindo a melatonina e elevando o estado de alerta.

A Nasa contatou a startup em 2023, buscando um novo fornecedor para o projeto Archer (Artemis Research for Crew Health and Readiness). Este estudo visa monitorar o bem-estar, o nível de atividade, os padrões de sono e as interações dos astronautas em um ambiente confinado e reduzido. O dispositivo foi submetido a rigorosos testes para avaliar a segurança e a confiabilidade para o voo espacial.

Embora houvesse sinalização de uso na Artemis 2, a confirmação oficial só veio no dia do lançamento. O comandante Reid Wiseman, durante coletiva de imprensa pós-missão, relatou que o uso do aparelho nos últimos dois anos permitia à tripulação recuperar o foco. Os dados coletados serão comparados a testes de coordenação motora e questionários, visando otimizar o design de futuras espaçonaves e garantir a segurança em missões de longa duração.

Jornada ao Espaço

A trajetória do actígrafo começou com uma necessidade de Pedrazzoli na condução de estudos realizados no Centro de Estudos do Sono da Universidade Federal de São Paulo. Os primeiros protótipos foram usados para avaliar o impacto do horário de verão na população. Com a parceria de Rodrigo Trevisan Okamoto e o apoio do programa Pipe da Fapesp, o protótipo se transformou em um produto comercial de alta precisão.

Hoje, a startup exporta 80% de sua produção, de 200 a 300 dispositivos por mês, para mais de 40 países, atendendo grandes universidades e centros de pesquisa. O dispositivo é aplicado em estudos que vão desde a epidemia de miopia na Ásia até a recuperação de bebês prematuros em UTIs neonatais. A Condor Instruments almeja manter a parceria com a Nasa para as próximas etapas da campanha Artemis, incluindo o pouso no polo sul da Lua previsto para 2028.

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Fonte: poder360.com.br

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