Sem sinais de trégua, guerra iniciada em 28 de fevereiro por bombardeios de Israel e dos EUA contra o Irã já deixou milhares de mortos, sobretudo na República Islâmica e no Líbano
O Irã voltou a
atacar Israel com mísseis nesta sexta-feira (3), ignorando as novas advertências do presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça bombardear pontes e usinas
elétricas iranianas.
O Exército israelense não especificou os locais atingidos.
Segundo a rádio militar, uma
estação ferroviária de Tel Aviv sofreu danos.
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A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República
Islâmica, citada pela imprensa local, anunciou o lançamento de mísseis de
“longo alcance” contra Tel Aviv e Eilat (sul de Israel).
A guerra
iniciada em 28 de fevereiro por bombardeios conjuntos de Israel e dos Estados
Unidos contra o Irã provocou milhares de mortos, em particular na
República Islâmica e no Líbano, e não há sinais de trégua.
Trump alterna ameaças e apelos ao diálogo para que Teerã
aceite um acordo de cessar-fogo.
O presidente republicano, que prevê “duas ou três” semanas a
mais de conflito, advertiu o Irã que as forças americanas atacarão as
infraestruturas civis.
“As pontes serão as
próximas, e depois as usinas elétricas!“, escreveu em sua rede Truth
Social.
Na quinta-feira, os bombardeios norte-americanos e
israelenses destruíram, entre outras coisas, uma ponte em construção perto de
Teerã.
“Atacar infraestruturas civis, incluindo pontes ainda não
concluídas, não levará os iranianos à rendição”, afirmou o ministro das
Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, no X.
Fuga em massa do
Líbano
No Líbano, outra frente de batalha da guerra, o movimento
armado pró-iraniano Hezbollah
voltou a lançar projéteis em direção ao sul de Israel durante a noite.
O país foi arrastado para a guerra depois que o Hezbollah
atacou Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos
bombardeios israelense‑americanos.
O Exército de Israel anunciou que atingiu mais de 3.500 alvos no Líbano e “eliminou” quase 1.000
combatentes do Hezbollah em um mês.
Mais de um milhão de pessoas fugiram dos ataques de Israel,
que invadiu parte do sul do país.
A diretora-geral da Organização Internacional para as
Migrações (OIM), Amy Pope, apontou riscos “muito alarmantes” de deslocamentos
em massa e prolongados de parte da população libanesa.
“Há lugares no sul do Líbano que estão sendo completamente
arrasados e, mesmo que a guerra termine amanhã, a destruição permanecerá e será
necessário reconstruir”, declarou à AFP.
As monarquias
petrolíferas do Golfo também continuam no alvo do Irã, acusadas de
abrigar interesses americanos e de apoiar Washington.
As consequências para a economia mundial são concretas com
o fechamento quase total do
Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo e do gás mundiais antes
da guerra.
Quase 40 países defenderam na quinta-feira a “reabertura
imediata e incondicional” do estreito e acusaram o Irã de querer “tomar a
economia mundial como refém”.
O Bahrein apresentou na ONU um projeto de resolução para
autorizar o uso da força com o objetivo de liberar o estreito, que, segundo o
Exército iraniano, permanecerá fechado aos países considerados hostis.
Mas a votação, inicialmente
prevista para esta sexta-feira, foi adiada por falta de consenso no Conselho de
Segurança.
Teerã advertiu contra qualquer “ação provocadora” na ONU e
afirmou que uma votação do Conselho de Segurança “complicará ainda mais a
situação”.
No Kuwait, um dos países alvo de represálias iranianas, um
ataque de drones contra uma refinaria provocou incêndios, mas não foram
registradas vítimar.
As sirenes de alarme também foram acionadas no
Bahrein. O tom ofensivo de Trump,
que prometeu levar o Irã “de volta à Idade da Pedra”, voltou a provocar
o aumento dos preços do petróleo.
O barril de Brent do Mar do Norte, referência internacional,
ultrapassou a cotação de 109 dólares na quinta-feira, antes de três dias de
fechamento dos mercados de petróleo para as celebrações da Semana Santa.
*AFP

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