Em um encontro marcado pela escuta ativa e pela valorização da experiência de pessoas com deficiência visual, a roda de conversa "Sentindo o Mundo" foi realizada nesta quarta-feira (8) no Solar dos Mellos. O evento, organizado pela Coordenadoria Geral de Políticas para as Pessoas com Deficiência, ligada à Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Acessibilidade e Economia Solidária, teve como foco principal o Dia Nacional do Sistema Braille, buscando fomentar um diálogo contínuo sobre os desafios e a construção de políticas públicas inclusivas.
A iniciativa sublinha a importância de ir além das datas comemorativas, transformando a celebração em um espaço de reflexão e proposição. A proposta é que as vozes de quem vive a deficiência visual no dia a dia guiem a formulação de ações que garantam não apenas a saúde, mas também o pleno exercício da cidadania, abrangendo educação, cultura, lazer e mobilidade.
Diálogo Essencial para Políticas de Acessibilidade
A coordenadora Geral de Políticas para as Pessoas com Deficiência, Caroline Mizurine, enfatizou a relevância do encontro como um catalisador para a criação de políticas públicas eficazes. Segundo Mizurine, o objetivo primordial é "escutar na prática e saber dos desafios que vocês passam para que possamos construir Políticas Públicas". A escolha da data em alusão ao Dia Nacional do Braille reforça o compromisso com a visibilidade e a discussão sobre a inclusão.
A coordenadora também destacou que a intenção é manter um diálogo transparente e contínuo. Ela ressaltou a necessidade de que as pessoas com deficiência visual tenham acesso a uma educação inclusiva, possam participar de eventos culturais e shows, e, em última instância, usufruir de todos os direitos inerentes à cidadania. A menção ao Abril Marrom, campanha de combate à cegueira, contextualiza o evento dentro de um mês dedicado à conscientização sobre diversas deficiências.
As Vozes da Experiência: Desafios e Resiliência
A roda de conversa proporcionou um espaço para que os participantes compartilhassem suas vivências. José Mendes, que perdeu a visão há três anos, aos 47 anos, relatou as dificuldades de adaptação e a depressão enfrentada. "A minha maior dificuldade é caminhar sozinho com segurança. Pra mim é um desafio tremendo", desabafou, ilustrando a complexidade da autonomia no cotidiano.
Outro participante, Ivan Santos, que sempre teve baixa visão e viu a condição se agravar com o tempo, demonstrou grande resiliência. Usuário de bengala há três meses, Santos apontou a carência de sinalização tátil em muitos locais como um obstáculo significativo. Ele salientou a importância de a pessoa com deficiência se sentir pertencente à inclusão, criticando a existência de barreiras físicas, como escadas sem acesso para cadeirantes, que impedem a plena participação.
O Legado e a Importância do Sistema Braille
O Dia Nacional do Sistema Braille, celebrado em 8 de abril, foi instituído pela Lei nº 12.266/2010. A legislação prevê que entidades públicas e privadas promovam eventos para honrar a memória de Louis Braille e divulgar a relevância de seu sistema na educação, habilitação, reabilitação e profissionalização da pessoa cega. Criado em 1824 pelo francês Louis Braille, este código universal revolucionou a vida de milhões de pessoas.
O sistema Braille é uma escrita e leitura tátil organizada por um arranjo de seis pontos em relevo, dispostos verticalmente em duas colunas de três pontos cada, formando a "cela braille". A variação na disposição desses seis pontos permite 63 combinações distintas, possibilitando a escrita de textos gerais, anotações científicas, partituras musicais e até escrita estenográfica. Sua invenção é um marco na história da inclusão, garantindo acesso ao conhecimento e promovendo o pleno exercício da cidadania.
Ações da Coordenadoria para a Inclusão
A Coordenadoria Geral de Políticas para as Pessoas com Deficiência tem um papel fundamental na promoção da acessibilidade e inclusão social. Sua finalidade é formular e executar ações que incentivem o protagonismo e a autonomia das pessoas com deficiência em diversas áreas. Isso inclui saúde, educação inclusiva, mobilidade urbana, paradesporto e lazer, cultura, trabalho e renda, empreendedorismo, moradia, desenvolvimento social, comunicação, ciência e tecnologia, planejamento e infraestrutura, turismo, meio ambiente, cidadania e direitos humanos.
A atuação da coordenadoria reflete um esforço abrangente para desconstruir barreiras e construir uma sociedade mais equitativa, onde a participação plena de todos seja uma realidade. Para mais informações sobre as atividades e serviços oferecidos, a coordenadoria funciona no Hotel de Deus (Avenida Lacerda Agostinho - Linha Azul, 477, Virgem Santa), com atendimento das 9h às 16h, e também pode ser contatada pelo e-mail politicapcd@macae.rj.gov.br.
Eventos como a roda de conversa "Sentindo o Mundo" são cruciais para manter a pauta da acessibilidade em evidência e garantir que as políticas públicas sejam construídas a partir das necessidades reais da população. O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando e noticiando as iniciativas que promovem a inclusão e a cidadania em nossa região, reforçando seu compromisso com a informação relevante e contextualizada para todos os leitores.
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