Lula discursa na Espanha e convoca progressistas à coerência global | Rio das Ostras Jornal

Lula discursa na Espanha e convoca progressistas à coerência global

irresponsabilidade das guerras, diz Lula. Brasil e Espanha assinam acordos sobre
Reprodução Agência Brasil

Em uma agenda diplomática intensa pela Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença neste sábado, 18 de abril de 2026, em Barcelona, Espanha, para a primeira edição da Mobilização Progressista Global (MPG). O evento, que reuniu ativistas e organizações de esquerda de diversas partes do mundo, teve como pilar a defesa da democracia com justiça social e o enfrentamento às crescentes forças autoritárias de extrema-direita. Diante de uma plateia de mais de 5 mil pessoas, incluindo chefes de Estado e figuras políticas de relevo, Lula proferiu um discurso contundente, no qual instou os progressistas a não se envergonharem de sua identidade e a agirem com rigorosa coerência em suas plataformas políticas.

A participação de Lula no MPG, um encontro inédito que busca articular uma resposta global ao avanço de ideologias reacionárias, reforça a posição do Brasil como um ator relevante na defesa de pautas progressistas no cenário internacional. O presidente brasileiro utilizou a plataforma para traçar um panorama crítico da política global, apontando desafios e propondo caminhos para a esquerda contemporânea.

Lula defende coerência e identidade progressista em Barcelona

Em sua fala, o presidente brasileiro enfatizou a importância de os indivíduos e movimentos progressistas se afirmarem sem receios no cenário democrático atual. Lula ressaltou que, em um mundo que preza pela liberdade de expressão, “ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade”. Essa declaração serve como um chamado à autoafirmação em um contexto global onde a polarização política e a ascensão de narrativas conservadoras têm desafiado as pautas progressistas. A Mobilização Progressista Global, da qual Lula foi um dos principais oradores, visa justamente fortalecer essa identidade e articular estratégias conjuntas para os desafios contemporâneos, buscando um contraponto ao discurso de ódio e à desinformação.

Crítica ao neoliberalismo e a “traição” da esquerda

Lula não poupou críticas ao modelo neoliberal, que, segundo ele, “prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança”, gerando crises sucessivas. O presidente brasileiro apontou que, apesar dos avanços sociais conquistados pela esquerda em áreas como direitos dos trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, o campo progressista falhou em superar o pensamento econômico dominante. Ele argumentou que muitos governos de esquerda, após eleitos com discursos progressistas, acabaram por praticar a austeridade e abrir mão de políticas públicas em nome da governabilidade, tornando-se, de certa forma, parte do próprio sistema que criticavam.

“Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema”, observou Lula. Essa incoerência, na visão do presidente, abriu caminho para que a extrema-direita se apresentasse como uma alternativa “antissistema”, capitalizando a frustração popular. Para Lula, a “coerência” deve ser o primeiro mandamento dos progressistas, garantindo que as promessas de campanha, como acesso a boa alimentação, moradia, educação e saúde de qualidade, além de uma política climática séria, sejam de fato implementadas.

A ameaça da extrema-direita e a defesa da democracia

Ainda em seu discurso, Lula alertou sobre a natureza concreta da ameaça representada pela extrema-direita, que, segundo ele, “não é apenas retórica, ela é real”. O presidente citou o caso brasileiro, onde “ela [extrema-direita] planejou um golpe de Estado”, orquestrando uma trama que incluía “tanques na rua e assassinatos do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral”. Essa menção direta aos eventos no Brasil sublinha a gravidade da situação e a necessidade de vigilância constante contra movimentos antidemocráticos.

Lula reforçou que a democracia não é um fim em si mesma, mas precisa ser constantemente reafirmada e aprimorada para que a vida das pessoas melhore de fato. Ele questionou a validade de uma democracia onde a fome, a falta de acesso à saúde, a discriminação e a violência de gênero persistem. “Não há democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo de comida. Não há democracia quando um neto perde seu avô na fila de um hospital”, exemplificou, defendendo que o papel dos progressistas é “desmascarar essas forças” que governam para os mais ricos, enquanto alegam estar ao lado do povo e alimentam a “falácia da meritocracia” para concentrar riqueza.

Multilateralismo e a crítica aos “senhores da guerra”

A pauta internacional também foi um ponto central na fala de Lula. O presidente reiterou sua crítica aos líderes dos países com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a quem chamou de “senhores da guerra”. Ele lamentou os bilhões de dólares investidos em armamentos, recursos que poderiam ser direcionados para erradicar a fome, resolver a crise energética e garantir acesso universal à saúde. Lula destacou que o Sul Global, muitas vezes, “paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou”, sendo tratado como “quintal das grandes potências” e sufocado por dívidas e tarifas abusivas.

Para o presidente, ser progressista na arena internacional significa defender um multilateralismo reformado, onde a paz prevaleça sobre a força, a fome seja combatida, o meio ambiente protegido e a credibilidade da ONU, “corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes”, seja restituída. Mais cedo, em Barcelona, Lula já havia participado da quarta edição do Fórum Democracia Sempre, uma iniciativa lançada em 2024 que reúne líderes de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai, reforçando a busca por soluções conjuntas para os desafios democráticos globais.

Agenda europeia e desdobramentos futuros

Após os compromissos na Espanha, a agenda do presidente Lula na Europa segue intensa. Neste domingo, 19 de abril de 2026, ele embarca para a Alemanha, onde participará da Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que neste ano homenageia o Brasil. Na Alemanha, Lula também terá um encontro com o chanceler Friedrich Merz, reforçando os laços bilaterais e as parcerias estratégicas. A viagem será concluída em 21 de abril de 2026, com uma visita de Estado a Portugal, onde o presidente se reunirá com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro. Essa série de encontros diplomáticos sublinha a busca do Brasil por um papel ativo no cenário global, promovendo discussões sobre democracia, justiça social e desenvolvimento sustentável, temas que permearam o discurso de Lula em Barcelona.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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