01/04/2026

Internet russa: país intensifica isolamento digital e restringe acesso

alternativas chegou até mesmo a impulsionar venda de walkie-talkies, telefones f
Reprodução G1

A Rússia avança em um processo de isolamento digital, com o governo intensificando as restrições ao acesso à internet e a plataformas de comunicação estrangeiras. Essa movimentação tem levado cidadãos a buscar alternativas, incluindo soluções analógicas, enquanto o país se distancia cada vez mais da rede global, um cenário que levanta discussões importantes sobre liberdade de informação em escala mundial, ecoando preocupações que ressoam até mesmo em comunidades como Rio das Ostras e Região dos Lagos, onde a livre circulação de dados é um pilar.

internet: cenário e impactos

As medidas repressivas, que se acentuaram desde a invasão da Ucrânia em 2022, incluem o bloqueio de redes sociais populares como WhatsApp, Instagram e Facebook. O Telegram, que se tornou o principal meio de comunicação no país com cerca de 100 milhões de usuários, também enfrenta bloqueios contínuos e a ameaça de ser completamente desativado, gerando reações públicas raras e significativas.

O cerco digital e a busca por alternativas

O governo de Vladimir Putin tem intensificado o controle sobre o uso livre da internet, resultando em apagões digitais frequentes em todo o país, inclusive em grandes centros urbanos como Moscou e São Petersburgo. Sites considerados “pouco confiáveis” pelo regime são sistematicamente proibidos, e serviços essenciais, como táxis e pagamentos online, podem ficar indisponíveis sem aviso.

Diante desse cenário, a população russa tem recorrido a soluções inusitadas e, por vezes, arcaicas. A venda de walkie-talkies, telefones fixos, pagers, mapas impressos e antigos tocadores de MP3 registrou um aumento, evidenciando o desespero em manter a comunicação e a navegação em um ambiente digital cada vez mais restrito.

A batalha contra as VPNs e o aplicativo MAX

O Kremlin também tem focado seus esforços no combate às Redes Privadas Virtuais (VPNs), ferramentas essenciais para os usuários contornarem a censura digital. Segundo o ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, em declaração feita na segunda-feira, 30 de março, a meta é “reduzir o uso” dessas tecnologias.

Shadayev fez a afirmação no MAX, um aplicativo de mensagens desenvolvido pela Agência Russa de Telecomunicações, a Roskomnadzor, e promovido pelo regime como uma alternativa “segura”. As medidas, segundo ele, visam “restringir o acesso a uma série de plataformas estrangeiras” que, na visão do governo, não cumprem a legislação russa de segurança e combate ao terrorismo.

Até meados de janeiro, a Rússia já havia bloqueado mais de 400 VPNs, um aumento de 70% em relação ao final do ano anterior, conforme noticiado pelo jornal Kommersant. A pressão chegou a ponto de a gigante Apple remover VPNs da App Store que permitiam acesso a sites censurados. Especialistas da desenvolvedora Amnezia alertam que os bloqueios na internet móvel podem se tornar rotineiros em Moscou e que as autoridades têm tecnologia para um apagão digital simultâneo em todo o país, similar ao observado no Irã.

Telegram: o último reduto e as reações internas

Em meio às crescentes dificuldades de acesso a ferramentas estrangeiras, o Telegram se tornou o último grande reduto de internet relativamente livre no país. No entanto, seu bloqueio total, que poderia ter ocorrido já na quarta-feira, 1º de abril, é uma possibilidade constante, embora possa ser adiado para depois das eleições parlamentares de setembro.

O ministro Shadayev revelou que houve tentativas “em vão” de acordo com o Telegram para impor custos adicionais caso o tráfego de dados internacionais mensal excedesse 15 gigabytes. O aplicativo, desenvolvido pelo russo Pavel Durov, hoje radicado nos Emirados Árabes, é crucial para a comunicação de soldados na Ucrânia com suas famílias e para alertas de ataques aéreos em cidades fronteiriças.

As restrições ao Telegram geraram críticas até mesmo de figuras alinhadas ao regime, como o governador de Belgorod, que lamentou “mortes desnecessárias” devido às interrupções de comunicação. Vídeos de soldados russos no front, divulgados pelo The New York Times, mostram apelos para que o Kremlin recue da decisão, destacando a importância do aplicativo para as operações.

A repercussão chegou à câmara baixa do Parlamento em Moscou, onde 77 votos foram favoráveis a um requisito para que o Kremlin justificasse o bloqueio do Telegram, expondo um raro desconforto interno. Manifestações contra as restrições também ocorreram, com 12 prisões em um protesto em Moscou no domingo, 29 de março, em favor da liberdade de expressão.

Implicações e o futuro da internet russa

Desde 2022, a Rússia implementou leis repressivas, reforçando a influência do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor da KGB. A Meta, dona do Facebook e Instagram, foi classificada como “terrorista” no país, resultando no bloqueio de suas redes. O WhatsApp também foi bloqueado, e a velocidade do Telegram foi reduzida, além das interrupções na internet móvel.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, ironizou a situação, comparando-a a um “retrocesso de 100 anos”, sugerindo o uso de correspondência em papel e telégrafos. Embora o Kremlin justifique as restrições com a necessidade de combater drones ucranianos, o descontentamento generalizado sugere que o caminho para o isolamento digital total da Rússia é complexo e enfrenta resistência interna e externa.

Para se manter informado sobre este e outros temas que impactam o cenário global e suas possíveis repercussões, continue acompanhando as análises e notícias do Rio das Ostras Jornal, sempre com foco na credibilidade e relevância para a nossa região.

Fonte: g1.globo.com

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