
Em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, o Irã tem intensificado o uso da pena de morte, com um aumento alarmante no número de execuções. Organizações de direitos humanos alertam que o regime iraniano estaria aproveitando a distração global, focada em conflitos como o entre Estados Unidos e Israel com a República Islâmica e as flutuações do preço do petróleo, para silenciar a oposição e reprimir a dissidência interna com maior vigor.
A prática da pena capital, já controversa, ganha contornos ainda mais sombrios pela opacidade com que é conduzida. Relatos indicam que a maioria das execuções não é divulgada publicamente, gerando um forte efeito intimidatório sobre a população e dificultando o monitoramento por parte da comunidade internacional e de grupos defensores dos direitos humanos. Este recrudescimento da repressão se agrava após as manifestações massivas que ocorreram no país, resultando em dezenas de milhares de detidos.
A escalada das execuções e o contexto geopolítico
Dados recentes revelam uma escalada preocupante. Apenas em 2026, pelo menos 145 pessoas tiveram suas execuções confirmadas, enquanto mais de 400 casos ainda aguardam verificação, conforme aponta o Iran Human Rights, citado pelo The Guardian. Essa cifra representa um salto significativo em relação a anos anteriores, com o relator especial da ONU documentando 1.639 execuções em 2025, contra 975 em 2024, embora organizações civis estimem números ainda maiores, superando 2.000 mortes.
A grande maioria dessas sentenças de morte permanece fora dos registros oficiais. O relator especial da ONU indicou que apenas cerca de 7% dos casos são divulgados publicamente, mantendo o processo em um véu de segredo. Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor do Iran Human Rights, ressalta que o conflito internacional oferece ao regime uma "margem inédita" para intensificar a repressão, afirmando que "o custo político dessas execuções é muito baixo" enquanto o mundo se concentra em outras questões.
A opacidade do sistema judicial e a repressão à dissidência
A falta de transparência é uma marca registrada do sistema judicial iraniano, especialmente em casos relacionados a protestos e oposição. O acesso à informação é severamente restringido, com cortes de internet e ameaças às famílias dos detidos, dificultando o acompanhamento dos processos judiciais e das execuções. A Amnistia Internacional alerta que dezenas de milhares de detidos após as manifestações de janeiro podem enfrentar a pena capital, sem garantias de um julgamento justo.
Desde os protestos de 2022, impulsionados pelo movimento "Mulher, Vida, Liberdade", a pena de morte tem sido utilizada como uma ferramenta deliberada de intimidação e repressão da dissidência, segundo Mansoureh Mills, pesquisadora da Amnistia Internacional. O primeiro vice-chefe do sistema judicial iraniano confirmou em 23 de março que os casos ligados aos protestos de janeiro já receberam sentença firme e estavam sendo executados, sem possibilidade de clemência, conforme noticiado pelo The Guardian.
Casos emblemáticos de condenação à morte
Diversos casos têm vindo à tona, ilustrando a brutalidade e a injustiça do sistema. Peyvand Naimi, detido após os protestos, permaneceu em isolamento por mais de um mês, sofrendo simulações de execução, tortura física e psicológica, e foi forçado a confessar em televisão sem acesso a advogado ou acusações formais. Sua família, como muitos outros, luta para dar voz ao que acontece na escuridão, na esperança de que a atenção internacional possa trazer alguma segurança.
Em março, Saleh Mohammadi, de apenas 19 anos, foi enforcado publicamente, acusado de "moharebeh" — "guerra contra Deus" na lei iraniana — junto a Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi. No dia seguinte, Kourosh Keyvani, cidadão sueco-iraniano, foi executado sob acusação de espionagem para Israel. Outro jovem, Shervin Bagherian Jabali, de 18 anos, em Isfahán, foi submetido a três simulações de execução após perguntar o significado de "moharebeh" durante um interrogatório, recebendo como resposta direta: "Execução".
A lista de vítimas inclui também Mohammad Taghavi, de 59 anos, e Akbar Daneshvarkar, de 60, executados por "baghi" — rebelião armada contra o Estado. A Amnistia Internacional denunciou que seus julgamentos, ocorridos em outubro de 2024, foram profundamente injustos, baseados em confissões obtidas sob tortura. Na prisão de Ghezel Hesar, perto de Teerã, Babak Alipour e Pouya Ghobadi, ligados ao grupo opositor exilado Muyahidines do Povo do Irã, também foram executados após meses de interrogatório e tortura, segundo o Conselho Nacional de Resistência do Irã.
O caso de Danial Niazi, da minoria curda, acusado de "moharebeh", tentativa de homicídio, lesões e propaganda antigovernamental, ilustra o padrão de desrespeito aos direitos. Informado de que seu julgamento ocorreria em apenas dez dias, ele sofreu severas agressões e dependia de outros presos para se locomover. Familiares foram ameaçados e torturados, conforme denúncia do Kurdpa, uma organização curda. Para mais informações sobre a situação dos direitos humanos no Irã, você pode consultar o relatório da Amnistia Internacional.
O impacto nas prisões e a mobilização por direitos humanos
As condições prisionais no Irã também se deterioraram drasticamente. A superlotação e a falta de recursos básicos, como comida, água e remédios, foram agravadas durante o período de tensões com os EUA e Israel. Em 3 de março, forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo contra detentos em Mahabad, enquanto prisioneiros de Evin, incluindo ativistas e dissidentes, foram transferidos para locais desconhecidos, sem que suas famílias fossem informadas.
Apesar da repressão, a mobilização por direitos humanos continua. A voz de familiares e organizações é crucial para expor as violações e pressionar por mudanças. A citação de uma familiar de Naimi ecoa o sentimento de muitos: "A única forma de ajudar era ser a voz dele e mostrar ao mundo o que acontece. Quando alguém age na escuridão, sente-se seguro, mas quando há foco sobre eles, se assustam."
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Fonte: gazetabrasil.com.br
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