Uma bola de fogo se eleva do local de um ataque aéreo israelense que teve como alvo um prédio no bairro de Bashoura, em Beirute, na madrugada de 18 de março de 2026. Foto por FADEL ITANI / AFP
Escalada inclui ofensivas em Ras Laffan e tensão no campo de
South Pars, com impacto nos preços do petróleo e aumento da crise no Oriente
Médio
Donald Trump ameaçou destruir os campos de gás do Irã se
Teerã prosseguir com os ataques contra o Catar, o segundo maior
exportador mundial de gás natural liquefeito, em uma escalada da crise que
voltou a provocar o aumento dos preços do petróleo nesta quinta-feira (19).
Se o Irã “decidir imprudentemente atacar” o Catar, os
Estados Unidos, “com ou sem a ajuda e o consentimento de Israel, explodiriam
maciçamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars”, escreveu o presidente
americano em sua plataforma Truth Social.
Ele também confirmou que o ataque de quarta-feira contra o
campo de gás iraniano no Golfo foi responsabilidade de Israel e que Washington
“não tinha conhecimento” da ação.
Em retaliação, o Irã atacou na quarta-feira a área de Ras
Laffan, no Catar, o maior complexo industrial e porto de exportação de
gás natural liquefeito (GNL) do mundo, e voltou a atacar o local nesta
quinta-feira.
A empresa estatal de energia do Catar, a QatarEnergy,
relatou “danos consideráveis” na madrugada de quinta-feira, mas os incêndios
provocados pelo ataque foram controlados, segundo o Ministério do Interior, que
não relatou vítimas.
O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL. O
Ministério das Relações Exteriores do país lamentou que os ataques na região
“ultrapassaram todas as linhas vermelhas por terem como alvo civis, assim como
instalações civis e vitais”.
Por sua vez, Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos,
também fechou um centro de processamento de gás natural após a
queda de destroços de mísseis interceptados.
O novo episódio da guerra iniciada em 28 de fevereiro pela
ofensiva de Israel e Estados Unidos contra o Irã provocou a disparada dos
preços do petróleo, levando o barril de Brent a uma cotação de mais de 112
dólares nesta quinta-feira.
Os temores de uma propagação do conflito a todo o Oriente
Médio aumentaram e a Arábia Saudita anunciou que “se reserva o direito” de
responder militarmente ao Irã, que ataca regularmente seu território com drones
e mísseis.
Corredor seguro
O bloqueio por parte do Irã do estratégico Estreito de
Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e do gás mundiais, continua no centro
das atenções.
Ao sul do estreito, no Golfo de Omã, um navio foi atingido
nesta quinta-feira por um “projétil desconhecido” e um incêndio a bordo foi
declarado, segundo a agência marítima britânica UKMTO. Outro navio foi atingido
na costa de Ras Lafan, no Catar, segundo a mesma fonte.
A Organização Marítima Internacional (OMI) se reúne em
caráter de urgência nesta quinta-feira em Londres para exigir a implementação
de um corredor marítimo seguro para a saída dos navios bloqueados no Golfo.
O organismo da ONU responsável pela segurança no mar calcula
que 20.000 marinheiros aguardam atualmente a bordo de 3.200 navios
perto do Estreito de Ormuz.
Assim como no Federal Reserve (Fed, banco central
americano), o forte aumento dos preços da energia devido à guerra dominará a
reunião desta quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE), que teme
consequências sobre a inflação e o crescimento.
O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu uma moratória
dos ataques contra as instalações de energia, após uma conversa com Trump e com
o emir do Catar, Tamim bin Hamad al Thani.
“As populações civis e suas necessidades essenciais, assim
como a segurança do fornecimento de energia, devem ser preservadas da escalada
militar”, declarou Macron.
Em quase três semanas, a guerra deixou mais de 2.200
mortos, segundo as autoridades, principalmente no Irã e no Líbano, a
segunda frente de batalha do conflito, onde as forças de Israel enfrentam o
movimento pró-Irã Hezbollah.
*AFP

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