Pelo Dia de Luta contra Discriminação Racial, Município mobiliza população a refletir sobre o racismo como violência com impactos no corpo e mente
No próximo dia 21 de março, celebra-se o Dia Internacional
de Luta contra a Discriminação Racial. A Secretaria de Saúde de Rio das Ostras
vai marcar a data mobilizando a população a refletir sobre o racismo como uma
violência que afeta a Saúde Mental.
Como iniciativa do Departamento de Saúde Mental, Álcool e
outras Drogas, ligado à Subsecretaria de Atenção Especializada, serão
realizadas atividades voltadas para essa temática nas unidades de Saúde.
O objetivo é orientar a população sobre o que é
discriminação racial, como ela se dá no dia a dia – muitas vezes sob forma de
micro-agressões, como gestos e “brincadeiras” – e os impactos reais na Saúde
Mental de quem sofre com o racismo.
É importante também entender o conceito de Racismo
Estrutural: a forma como a sociedade foi construída, criando desigualdades no
acesso a educação, trabalho e saúde.
“O racismo é uma violência e produz impactos diretos
na Saúde Mental. A dor do racismo não é ‘mimimi’; é um trauma que afeta o corpo
e a mente”, explica o coordenador do Departamento de Saúde Mental, Alessandro
Barbosa.
IMPACTOS - Entre os impactos diretos em quem
sofre com comportamentos racistas estão o estresse crônico: o estado de
"alerta constante" causa desgaste físico e mental; traumas
psicológicos, como ansiedade, depressão, Síndrome do Pânico e Transtorno de
Estresse Pós-Traumático (TEPT); problemas de identidade e autoestima, a partir
da internalização de mensagens negativas, gerando sentimentos de inferioridade.
Os especialistas também identificam como consequências
emocionais a queda no rendimento escolar e profissional, isolamento social e,
em casos extremos, ideação suicida.
Para a população negra, a Saúde Mental é inseparável da luta
pela vida. O medo é real e constante, alimentado pelo dado alarmante de que 77%
das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Esse estado de alerta permanente
adoece e desgasta o emocional.
ACOLHIMENTO E ORIENTAÇÃO – Como parte das ações,
a Prefeitura busca sensibilizar os profissionais de saúde e toda a comunidade a
acolher e orientar quem sofre as consequências do racismo.
“Se você se deparar com alguém em sofrimento mental em
decorrência de discriminação racial, acolha e oriente. Escute sem julgar,
valide a experiência do outro e não minimize a dor. Reconhecer que esse
sofrimento não é fraqueza, mas fruto de uma estrutura injusta, é o primeiro
passo para buscar cuidado e fortalecer a resistência”, completa Alessandro Barbosa.
Na Rede Municipal de Saúde de Rio das Ostras é possível
buscar ajuda no CAPS - Centro de Atenção Psicossocial e nas unidades de saúde.
DISCRIMINAÇÃO RACIAL – A discriminação racial é
qualquer distinção, exclusão ou restrição baseada em raça, cor ou origem, que
anula o reconhecimento dos direitos humanos.
No Brasil, a discriminação racial é crime inafiançável e
imprescritível, punido com reclusão e multa conforme a Lei nº 7.716/1989. Desde
2023, a injúria racial (ofensa à dignidade baseada em raça/cor) foi equiparada
ao racismo, tornando-se também inafiançável e imprescritível.

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