Rastreamento de câncer de intestino: exames no SUS triplicam em dez anos | Rio das Ostras Jornal

Rastreamento de câncer de intestino: exames no SUS triplicam em dez anos

câncer colorretal devem aumentar quase 3 vezes até 2030. Quatro em cada dez mort
Reprodução Agência Brasil
Destaques:
  • Exames de rastreamento para câncer de intestino triplicaram no SUS em uma década.
  • Campanha Março Azul e figuras públicas impulsionaram a conscientização.
  • Aumento significativo em pesquisas de sangue oculto nas fezes e colonoscopias.

O número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados via Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou ao longo da última década. Os dados, levantados no âmbito da campanha Março Azul, evidenciam uma crescente conscientização e mobilização em torno da importância do rastreamento para este tipo de câncer. Tanto a pesquisa de sangue oculto nas fezes quanto as colonoscopias registraram uma expansão significativa na rede pública de saúde, sinalizando um avanço nas estratégias de saúde preventiva.

Aumento expressivo no rastreamento de câncer de intestino

Entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes no SUS passou de 1.146.998 para 3.336.561 exames realizados, um crescimento de aproximadamente 190%. No mesmo período, as colonoscopias também apresentaram um avanço notável, aumentando de 261.214 para 639.924 procedimentos, o que representa um acréscimo de cerca de 145%. Esses números refletem um maior engajamento da população com as medidas de saúde preventiva e uma ampliação da capacidade do sistema público em oferecer ferramentas diagnósticas essenciais.

Em 2025, o estado de São Paulo registrou o maior volume de pesquisas de sangue oculto nas fezes, com 1.174.403 exames. Minas Gerais seguiu com 693.289, e Santa Catarina com 310.391. Na outra ponta, os menores números foram observados no Amapá, com 1.356 exames, no Acre, com 1.558, e em Roraima, com 2.984, indicando disparidades regionais no acesso ou na conscientização sobre esses exames cruciais.

Conscientização e o papel da campanha Março Azul

Para Eduardo Guimarães Hourneaux, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), o cenário positivo está intrinsecamente ligado ao avanço das estratégias de conscientização e à maior mobilização promovida por entidades médicas no país. Ele ressalta que a campanha Março Azul tem sido fundamental para transformar o medo em atitude e esperança entre a população.

A cada ano, mais pessoas deixam de adiar o cuidado com a saúde do intestino e procuram os serviços de saúde para realizar exames, o que se reflete em um aumento expressivo de colonoscopias e testes de rastreamento justamente durante o mês de março. Esse movimento não ocorre por acaso, sendo fruto do compromisso de autoridades municipais, estaduais e federais que abraçaram a causa, iluminaram prédios, organizaram mutirões e levaram a mensagem de prevenção para as ruas, escolas e unidades de saúde.

Impacto de figuras públicas na detecção precoce

Fatos públicos, como o adoecimento e a morte de personalidades em decorrência da doença, têm trazido o assunto para as conversas diárias, ajudando a levantar dúvidas nas pessoas a partir de sinais e sintomas que devem ser avaliados em exames. Uma análise preliminar feita pela campanha revela que a trajetória da doença enfrentada pela cantora Preta Gil, por exemplo, coincide com uma evolução nos números dos exames de diagnóstico.

Entre a divulgação do diagnóstico da artista em 2023 e sua morte dois anos depois, o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes cresceu 18% no SUS, enquanto o volume de colonoscopias aumentou 23%. Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas, como Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite, ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Eles passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem. Cada entrevista, postagem ou depoimento dessas personalidades funciona como um lembrete poderoso de que o câncer de intestino pode atingir qualquer pessoa, mas que a chance de cura é muito maior quando a doença é descoberta cedo.

Desafios futuros e a importância da prevenção

Apesar do encorajador aumento nos exames de rastreamento, a luta contra o câncer de intestino ainda enfrenta desafios significativos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que as mortes prematuras (antes dos 70 anos) por câncer de intestino devem aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. Essa projeção considera não apenas o envelhecimento populacional, mas também o crescimento da incidência da doença entre jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento.

A campanha Março Azul, promovida nacionalmente desde 2021, é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Este ano, a iniciativa conta ainda com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), além de outras sociedades de especialidades médicas. Essas parcerias são cruciais para sustentar e expandir o alcance das mensagens de prevenção e garantir que mais brasileiros tenham acesso à detecção precoce, que pode salvar vidas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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