O horário de Brasília é, na verdade, carioca; entenda como funcionam os relógios atômicos do Observatório Nacional | Rio das Ostras Jornal

O horário de Brasília é, na verdade, carioca; entenda como funcionam os relógios atômicos do Observatório Nacional

Observatório Nacional, no Rio 
Foto: Gabriela Wolynec/g1

O país tem quatro fusos horários e todos são gerados pelos relógios atômicos da Divisão Serviço da Hora, no Observatório Nacional, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Veja como funciona o sistema.

A maior parte dos relógios do Brasil estão acertados para marcar o horário de Brasília. Mas de Brasília, o fuso só tem o nome. Isso porque os quatro horários do país são gerados no Rio de Janeiro, pelos relógios atômicos do Observatório Nacional.

Quando a Divisão de Serviços da Hora Legal Brasileira foi fundada, junto com o Observatório, por D. Pedro I, em 1827, a medição do tempo era feita pela observação dos astros.

Mas, desde os anos 70, o Brasil adquiriu equipamentos mais modernos e, hoje, é capaz de medir a hora com uma precisão de um quatrilionésimo de segundo. Essa fração é chamada de fentosegundo.

g1 conversou com Ricardo José de Carvalho, engenheiro de sistemas e chefe da divisão, para entender como funciona sistema que conta com dez relógios atômicos.

Do tempo astronômico ao tempo atômico

"Em 1967, houve uma transição da definição do segundo. Ele saiu do tempo astronômico e passou para o tempo atômico", explicou Carvalho. "Isso foi feito através de pesquisa, que começou em 1947, mais ou menos, quando foi feito um oscilador de Césio-133."

Carvalho explica que o Césio - 133 é a única configuração estável do átomo, e ele funciona como uma espécie de pêndulo do relógio.

Os equipamentos são compostos por um tubo, onde é gerado um feixe em que o átomo passa, de um lado para o outro. Essa frequência estimula um componente de quartzo, como o usado em relógios comuns, e é traduzida em sinais elétricos.

A frequência do átomo é tão estável que chega a ser mais precisa do que o movimento da Terra. Ricardo explicou que um dia não tem exatamente 24h, porque a rotação da terra tem variações, então as vezes, os equipamentos precisam ser ajustados.

Muito diferente do Césio-137, por exemplo, que é radioativo, o átomo presento nos relógios atômicos não apresenta risco.

Mas, mesmo assim, a Divisão não confia em um único equipamento. A hora que é gerada pelo departamento é uma média dos dez relógios atômicos. Os sinais são monitorados, em tempo real, por um sistema que, por meio de uma equação matemática, calcula o resultado.

Os relógios estão acertados para medir a hora zero, como é chamado o fuso que corresponde ao Meridiano de Greenwich, linha imaginária que divide os hemisférios oriental e ocidental. A partir desse dado, são medidas a hora de Fernando de Noronha (-2), de Brasília (-3), do Amazonas (-4) e do Amazonas (-5) - todas no Rio de Janeiro.

Do observatório até o seu relógio

Ricardo também explicou que a maior parte dos sistemas operacionais de smartphones não usam a Hora Legal Brasileira como referência. Mas setores econômicos e sociais que dependem de marcação precisa do tempo, como os bancos ou o judiciário, contratam o serviço.

Para cidadãos ele é gratuito. Quem quiser acertar seus relógios, pode verificar a hora pelo site da Divisão.

Servidor checando os aparelhos de transmissão da hora 
no Observatório Nacional — Foto: Gabriela Wolynec/g1

Por Gabriela Wolynec*, Gustavo Wanderley, g1 Rio

Postar no Google +

About Redação

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!

Publicidade