A Operação Contenção foi deflagrada em 28 de outubro de 2025 pelo governo do estado do Rio de Janeiro para conter o avanço do Comando Vermelho. Rosinei Coutinho/STF
Segundo a corporação, a plataforma online disponibilizada
pelo órgão estadual permite apenas a reprodução direta dos arquivos, sem
habilitar a função de download
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), determinou na segunda-feira (16), que a
Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro envie, no prazo de
cinco dias, mídia física com 945 arquivos de vídeo de câmeras corporais
produzidos durante a Operação Contenção à Diretoria-Geral da Polícia
Federal.
A medida decorre do Ofício nº 184/2026/SEAPRO/GAB/PF, pelo
qual a PF informou ao STF a inviabilidade técnica
de cumprir decisão anterior, de 19 de fevereiro, que determinara o
envio das imagens para perícia.
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Segundo a corporação, a plataforma online disponibilizada
pelo órgão estadual permite apenas a reprodução direta dos arquivos,
sem habilitar a função de download. A restrição impede a extração do
material para preservação e análise técnica.
A Polícia Federal apontou ainda a ausência de códigos de
verificação de integridade, os chamados hash, em quase todos os arquivos. A
falta desses códigos compromete a cadeia de custódia e impossibilita atestar
eventual adulteração do material após a transferência.
Na decisão, Moraes estabeleceu que os arquivos devem
ser entregues em formato nativo, sem conversão ou compressão que implique
perda de qualidade ou de metadados.
Caso o formato seja proprietário (um tipo de arquivo
desenvolvido, controlado e de propriedade de uma empresa ou organização
específica), o Estado deverá encaminhar também o software necessário para
visualização e análise, acompanhado das respectivas licenças de uso. A
relação completa dos códigos hash de cada vídeo deverá acompanhar o envio.
O prazo de 15 dias para a conclusão da perícia pela
Polícia Federal foi mantido e passará a contar a partir da data do
efetivo recebimento da mídia física e dos softwares, após avaliação técnica
preliminar de viabilidade.
Na decisão, Moraes classificou as imagens como
“elemento probatório crucial para a elucidação dos fatos” no âmbito da
ADPF.
A ADPF 635, proposta pelo Partido Socialista Brasileiro e
conhecida como ADPF das Favelas, questiona operações policiais realizadas em
comunidades do estado do Rio de Janeiro.
A operação
A Operação Contenção foi deflagrada em 28 de outubro de 2025
pelo governo do estado do Rio de Janeiro para conter o avanço do Comando
Vermelho, como informou o Estadão. Cerca de 2.500 agentes das polícias civil e militar
entraram nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital
fluminense, para cumprir 100
mandados de prisão contra integrantes da facção.
No primeiro dia, a ação foi classificada como a mais letal
da história do país. Segundo a Polícia Civil, 115 dos 117 civis mortos tinham
ligação comprovada com o Comando Vermelho. Cinco
policiais também morreram durante a operação.
Os 945 arquivos em disputa são gravações das câmeras
corporais usadas por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE)
durante a operação.
JP

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