Quatro maiores, entre 18 e 19 anos, foram indiciados por estupro coletivo, e um adolescente também é investigado. Um dos procurados tem o nome quase igual ao de um outro jovem, também morador de Copacabana, que tem sido confundido nas redes sociais e ameaçado.
Um nome quase igual ao de um acusado por um crime hediondo
levou um ex-atleta de remo a receber ameaças nas redes sociais. João Gabriel
Bertho, de 21 anos, tem sido confundido com outro jovem, João Gabriel
Xavier Bertho, de 19 anos, denunciado e procurado por um estupro
coletivo de uma adolescente de 17 anos.
Além de só um sobrenome diferente, o crime foi em
Copacabana, onde vivem os dois jovens.
Em conversa com o g1, a mãe do ex-atleta, Melissa Salgado, contou que a família teve
que se esconder, e que grupos na internet estão divulgando fotos do jovem
incitando violência contra ele.
"Estamos vivendo momentos de terror e ameaças até
agora. Tivemos que colocar fotos grandes do meu filho para que as pessoas
pudessem ver que é diferente do outro menino. São idades diferentes
também", comentou Melissa.
Ela diz que a família teve sorte por ser conhecida no
bairro, mas que mesmo assim estão tendo que mudar a rotina por medo de
retaliações.
"Meu filho saiu da Copacabana, eu também saí do bairro.
Agora, estamos nessa campanha pela internet para que parem de compartilhar e
limpar essa bagunça. Meu filho está com medo pela vida dele e pela minha
também. Queremos que meu filho não seja vítima e que culpados sejam
presos", acrescentou.
A família esteve na 12ª DP (Copacabana) para comunicar sobre
a coincidência dos nomes.
O estupro coletivo
O caso ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um imóvel na
Rua Ministro Viveiros de Castro.
Quatro jovens adultos foram denunciados pelo crime de
estupro com concurso de pessoas: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo
Oliveira Simonin, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho.
Os quatro têm mandados de prisão, mas não foram encontrados
e já são considerados foragidos.
Um menor também suspeito de participar do estupro coletivo
teria perguntado à vítima se a mãe a vê sem roupa. O motivo, segundo a polícia,
seria a preocupação com as marcas que as agressões deixaram na vítima, que
também ficou sangrando após o crime.
A conduta do adolescente foi desmembrada para a Vara da
Infância e Juventude. Ele não terá a identidade revelada.
O que disse a vítima
Em depoimento prestado na delegacia, na presença da avó, a
adolescente relatou que foi convidada pelo adolescente, que era um colega de
escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. Ele teria pedido que ela
levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, foi sozinha.
Segundo a jovem, ela já havia tido um relacionamento com o
rapaz entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então.
Ao chegar ao prédio, ela encontrou com o jovem na portaria e
subiu ao apartamento. No elevador, o rapaz teria avisado que dois
amigos estariam no local e insinuado que fariam “algo diferente”, o
que ela diz ter recusado.
No apartamento, ela afirmou ter sido levada para um quarto.
Enquanto mantinha relação sexual com o jovem, outros três rapazes teriam
entrado no cômodo, feito comentários e, segundo o relato, um deles passou
a tocá-la sem consentimento.
A jovem contou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, com a condição de que não a tocassem. No entanto, segundo ela, os jovens teriam tirado a roupa, passado a beijá-la e apalpá-la.
A vítima afirmou que foi forçada a praticar sexo oral e
que sofreu penetração por parte dos quatro jovens. Disse ainda que levou tapas,
socos e um chute na região abdominal. Em determinado momento, ela disse ter
tentado sair do quarto, mas, segundo o depoimento, foi impedida.
Ela relatou ainda que, ao deixar o apartamento, enviou um
áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, contou o que
havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.
O que dizem os citados
A defesa de João Gabriel Xavier se pronunciou com a seguinte
nota:
"A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência
a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de
prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de
texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença
prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato
ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença
dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo.
No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa
contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum
histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela
polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do
encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido
objeto da investigação".
O g1 tenta contato com os outros citados.
Por g1 Rio


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