Demonstração foi feita durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026, que terminou neste sábado no Rio de Janeiro
A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, apresentou neste sábado (14/03)
o protótipo de um aplicativo para modernizar a avaliação neurológica de
pacientes com hanseníase. A ferramenta, desenvolvida em parceria com
pesquisadores, propõe digitalizar um dos principais instrumentos utilizados no
acompanhamento da hanseníase no Sistema Único de Saúde (SUS): a Avaliação
Neurológica Simplificada (ANS). Atualmente, o procedimento é feito manualmente
em formulários de papel e exige profissionais treinados para aplicar testes de
sensibilidade nas mãos e nos pés dos pacientes.
A secretária explicou que a proposta é incorporar tecnologia ao processo de
avaliação, tornando o atendimento mais ágil, além de ampliar a capacidade de
registro e de análise de dados. “O que existe hoje é um teste feito em papel,
que exige treinamento específico e pode ser trabalhoso. A ideia foi trazer algo
diferente, disruptivo, ligado à tecnologia, para ajudar no processo de
trabalho. Primeiro vamos buscar digitalizar esse documento e, no futuro,
queremos incorporar tecnologias que permitam até auxiliar na classificação da
sensibilidade”, destacou a secretária.
A apresentação foi feita durante a Conferência Nacional de Alto Nível em
Hanseníase 2026, promovida pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de
Janeiro (SES-RJ), Ministério da Saúde e Fundação Sasakawa, do Japão, no centro
de convenções de um hotel na Zona Sudorest do Rio. A Secretaria de Estado de
Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) marcou presença com inovação tecnológica,
debates científicos e ações de conscientização sobre a doença. Durante o painel
“IA na prevenção de incapacidade em hanseníase: desafios para classificação”,
conduzido pela secretária, Claudia Mello demonstrou o funcionamento do
aplicativo
O aplicativo ainda está em fase de protótipo e será testado no estado por meio
de uma prova de conceito (POC). A expectativa é que a ferramenta seja aplicada
inicialmente em duas unidades da rede estadual, incluindo o Hospital Estadual
Tavares de Macedo, referência no tratamento da hanseníase.
“Queremos mostrar que, dentro da tecnologia da informação, estamos buscando
alternativas para melhorar o cuidado com a hanseníase. Não é algo que já está
estabelecido, mas é um caminho que estamos começando a trilhar”, acrescentou.
A solução foi desenvolvida no âmbito de um projeto de pesquisa financiado por
instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), o Ministério da Saúde e a Fundação de Amparo à Ciência e
Tecnologia de Pernambuco (Facepe). Autora do projeto, a pesquisadora Patricia
Endo, da Universidade de Pernambuco (UPE), explicou que a digitalização da
avaliação neurológica pode ajudar a superar limitações do modelo atual.
“Hoje essa avaliação é feita em papel e muitas vezes as informações acabam se
perdendo ou ficam difíceis de consolidar. Quando visitamos um hospital de
referência em Recife, percebemos que não havia dados estruturados para entender
o cenário da doença. Com o aplicativo, conseguimos coletar essas informações em
um banco de dados digital, melhorar a qualidade dos registros e agilizar o
atendimento. Isso ajuda tanto no cuidado com o paciente quanto no planejamento
das políticas públicas”, afirmou.
A prova de conceito do aplicativo já ocorre em Pernambuco e deve ser ampliada
para o Rio de Janeiro em parceria com instituições de pesquisa, conforme
explicou a Emanuela Rainho, Coordenadora de Inovação da SES-RJ.
"Sabemos que esse caminho não foi fácil, mas estamos falando da construção
de um SUS digital mais humanizado, usando a tecnologia como meio para ampliar
possibilidades e aprimorar os nossos serviços", ressaltou.
Visita de Miss Supranational reforça importância da conscientização
Além dos debates científicos, a Conferência teve momentos voltados à
sensibilização da sociedade. Na sexta-feira (13/03), segundo dia do evento, a
Miss Supranational, Eduarda Braum, visitou o Hospital Estadual Tavares de
Macedo, em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Durante a
visita, ela conversou com pacientes, conheceu a história do hospital e destacou
o impacto humano da doença.
“Foi uma experiência única para mim. Ouvi histórias muito marcantes, de pessoas
que foram separadas da família e viveram muitos anos no hospital. Fiquei muito
comovida. Esse contato mostra a importância de falar sobre a hanseníase e de
mostrar que ela tem cura”, destacou.
Natural do interior do Espírito Santo, a modelo tornou-se a primeira brasileira
a vencer o Miss Supranational, concurso de beleza com competidores de 65
países. Agora, ela tem a missão de disseminar as questões da hanseníase e
combater o estigma associado à doença.
Para o diretor-geral do Hospital Estadual Tavares de Macedo, Rafael Feitosa, a
presença da miss contribui para ampliar o alcance das ações de conscientização.
“Recebê-la em um hospital-colônia que é referência estadual ajuda a dar mais
destaque ao tema e a mostrar que a hanseníase precisa ser discutida. Ela
conversou com pacientes, caminhou pelo hospital e ouviu muitas histórias. Isso
mobiliza toda a equipe e reforça a importância do trabalho que realizamos aqui
diariamente”, destacou.

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