As recentes e devastadoras chuvas que submergiram bairros inteiros em Rio das Ostras deixaram mais do que lama e prejuízos; deixaram uma lição amarga sobre a falta de prevenção. Embora a prefeitura afirme que a saúde pública e a assistência às vítimas são as prioridades imediatas, é impossível ignorar que grande parte desse cenário caótico poderia ter sido atenuada se o dever de casa tivesse sido feito ao longo do ano.
É fato que o volume de água foi
atípico, mas bueiros entupidos, caixas de drenagem obstruídas e canais tomados
por gigogas não são imprevistos da natureza; são sintomas de falta de
manutenção regular. O escoamento das águas fica comprometido quando o sistema
de drenagem da cidade não recebe o cuidado necessário antes que o período
crítico de chuvas comece. A gestão eficiente de uma cidade não se prova apenas
no socorro às vítimas, mas, principalmente, na capacidade do executivo em
antecipar o desastre por meio da infraestrutura.
Por outro lado, a fala do prefeito Carlos
Augusto sobre o descarte irregular de lixo e móveis nos canais traz à tona
um problema real. A população possui, sim, sua parcela de responsabilidade. No
entanto, o cidadão muitas vezes descarta de forma errada por falta de um
cronograma claro e eficiente de recolhimento de inservíveis. Sem uma gestão que
ofereça soluções práticas, como o agendamento de coletas pesadas em todos os bairros,
o ciclo de sujeira e entupimento dificilmente será quebrado.
Neste cenário, o papel do Legislativo
torna-se vital. Os vereadores não podem ser meros espectadores; cabe a eles
fiscalizar rigorosamente a aplicação das verbas de manutenção e cobrar o cumprimento
dos cronogramas de limpeza. Uma cidade com um executivo verdadeiramente
preocupado com seu povo é aquela que une planejamento, fiscalização e educação
ambiental.
Direitos e deveres caminham juntos.
O cidadão deve zelar pelo espaço público, mas o governo municipal precisa
entregar a estrutura e o serviço que o imposto pago exige. Rio das Ostras
não pode mais esperar que o próximo temporal decida o destino de seus
moradores. É hora de sair do modo de emergência e entrar, definitivamente, na
era da gestão preventiva e do compromisso compartilhado.

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