
- Marina Silva defende cooperação global na COP15 em Campo Grande.
- Conferência reúne 132 países para proteção de espécies migratórias.
- Ministra ressalta que natureza e solidariedade não reconhecem fronteiras.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez um apelo contundente pela cooperação internacional e solidariedade entre as nações durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). Em sua declaração neste domingo (22), em Campo Grande (MS), a ministra enfatizou que o evento representa uma oportunidade crucial para líderes mundiais demonstrarem a capacidade de superar o atual cenário geopolítico, muitas vezes marcado por conflitos bélicos ou disputas tarifárias, através de esforços conjuntos pela conservação ambiental.
A COP15, que acontece no Brasil, é um encontro de relevância global, reunindo representantes de 132 países e da União Europeia. Todos são signatários da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), e buscam ampliar a colaboração para enfrentar os complexos desafios relacionados à proteção da biodiversidade que se desloca entre diferentes territórios. A agenda da conferência visa fortalecer mecanismos de proteção para essas espécies, que, por sua própria natureza, transcendem fronteiras políticas e geográficas.
Apelo por cooperação internacional em meio a desafios globais
Em seu discurso de abertura da sessão de alto nível que antecede a COP15, Marina Silva utilizou a própria natureza como metáfora para a necessidade de união. “Esses animais silvestres nos ensinam que, tal como a natureza não reconhece fronteiras, a cooperação e a solidariedade também têm o poder de flexibilizá-las em prol do bem comum”, declarou a ministra. A fala sublinha a ideia de que a preservação ambiental exige uma abordagem que transcenda interesses nacionais isolados, promovendo uma visão coletiva para o futuro do planeta.
A ministra reforçou a importância do multilateralismo como a única via eficaz para a resolução de problemas globais. “Diante de tantas incertezas, a cada dia, agravadas em função de medidas unilaterais, façamos desta COP15 um verdadeiro momento de contundente defesa do multilateralismo, a única forma de resolvermos os nossos problemas”, acrescentou. Este posicionamento destaca a urgência de um diálogo construtivo e de acordos coletivos em um momento de crescentes tensões internacionais, onde a fragmentação de esforços pode comprometer a eficácia das ações ambientais.
Crise climática e impacto na biodiversidade e na sociedade
Além dos desafios geopolíticos, Marina Silva salientou que a crise climática e a perda acelerada de biodiversidade já representam ameaças existenciais. Esses fenômenos impactam inúmeras formas de vida, incluindo milhões de seres humanos, com especial gravidade para as populações mais vulneráveis. A ministra enfatizou que a degradação ambiental não é apenas um problema ecológico, mas também social e econômico, com consequências diretas para a qualidade de vida e a segurança das comunidades.
Para ilustrar a dimensão social do problema, a ministra citou dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). O panorama social divulgado pela Cepal no final do ano passado indicou que 9,8% da população latino-americana vive em pobreza extrema, um aumento de 2,1 pontos percentuais em comparação com 2014, ano em que o Equador sediou a COP-11 da Convenção. Essa comparação ressalta a correlação entre a vulnerabilidade social e os impactos das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, que tendem a agravar as desigualdades existentes.
Programação e engajamento público na conferência
A programação oficial da COP15 da CMS terá início nesta segunda-feira (23) e se estenderá até o próximo domingo (29), na capital sul-mato-grossense. Durante a semana, estão previstas diversas atividades, incluindo plenárias dedicadas à tomada de decisões cruciais, apresentações de estudos científicos que subsidiam as políticas de conservação e reuniões técnicas que ocorrem na chamada Zona Azul. Esses encontros são fundamentais para o avanço das discussões e a formulação de estratégias eficazes para a proteção das espécies migratórias.
Paralelamente às sessões técnicas, a COP15 oferecerá uma extensa programação aberta ao público, visando promover o engajamento e a conscientização sobre a importância da biodiversidade e das mudanças climáticas. Esta programação inclui palestras informativas, experiências imersivas e outras atividades interativas, proporcionando aos cidadãos a oportunidade de aprender e se conectar com os temas abordados na conferência. Para mais detalhes sobre a agenda de proteção das espécies migratórias, informações adicionais podem ser consultadas na Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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